Os vermelhos nos países de brancura dominante

Falar em vinho tinto alemão, anos atrás, parecia gafe, como dizer "tomei um bom espumante inglês". E, no entanto, ambos existem e cada vez melhores. Países de grandes uvas brancas que dominam o cenário, como a Áustria e a Alemanha, sempre tiveram uvas tintas. Mas a produção era secundária, e os vinhos, mesmo deliciosos e frutados, restritos a um prazer imediato, para serem bebidos logo e como curiosidade.

Luiz Horta, O Estado de S.Paulo

21 Janeiro 2010 | 01h54

No ano passado, na Vievinum, em Viena, pude provar dezenas de tintos, não apenas da Themeregion, Carnutum e do Burgenland, regiões mais quentes, mas do mundo mais temperado do centro-norte do país. Foi quando a luz se acendeu para mim. Houve pelo menos dez notáveis Blauburgunder, nome austríaco da Pinot, que deixaram ótima impressão.

Agora este artigo de Eric Asimov, ecoando degustações amplas de Jancis Robinson e Julia Harding, mostra que os germânicos vermelhos deixaram de ser uma experiência de vinicultores atrevidos: são o aproveitamento de verões mais longos e de uma pluviometria menos severa.

Evidente, e falo por mim, seria uma pena que a extraordinária personalidade dos brancos na região se perdesse para uma dedicação intensa aos tintos. Rieslings como aqueles só há ali. Bons tintos são mais democráticos, estão em toda parte. Mesmo assim, nem que seja para marcar como nada é fixo, o alemão tinto deixou de ser uma inside joke de cognoscenti.

No Brasil só a Mistral tem dois Pinots alemães, do biodinâmico Bürklin-Wolf, e um par mais de bons tintos de Zweigelt, de Alois Kracher, o genial produtor de vinhos doces que fazia questão de produzir tintos. Mas com tanta opinião de peso da crítica internacional, pode ser que mais venham.

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