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Países anunciam verba para fundo China e Brasil fazem engrenagem começar a girar

DURBAN, ÁFRICA DO SUL, CONSULTOR NA ÁREA DE CLIMA, FLORESTAS, DURBAN, ÁFRICA DO SUL, CONSULTOR NA ÁREA DE CLIMA, FLORESTAS - O Estado de S.Paulo

09 Dezembro 2011 | 03h 04

Alemanha e Dinamarca afirmam que investirão R$ 132 milhões em ações de adaptação às mudanças climáticas em países pobres

A Alemanha e a Dinamarca fizeram ontem os primeiros anúncios de investimento de recursos no Fundo Verde Climático da COP-17. O governo alemão se comprometeu a colocar €40 milhões e o dinamarquês, €15 milhões, o equivalente a cerca de R$ 132 milhões.

O fundo foi criado no ano passado, na COP-16, em Cancún, mas pouco se avançou desde então. O objetivo é de que os recursos sejam usados em medidas de adaptação às mudanças climáticas e de redução de emissões de gases do efeito estufa em países mais pobres. A ideia é que, em 2020, ele conte com investimentos de US$ 100 bilhões por ano.

O Brasil insiste em um resultado positivo no fundo. "Tem de estar claro o financiamento para o fundo e um cronograma para o futuro, no espírito do compromisso dos países desenvolvidos em Copenhague e em Cancún", afirmou o embaixador Luiz Alberto Figueiredo Machado.

Assinatura. Karl Hood, o ministro das Relações Exteriores de Granada, no Caribe, exortou os americanos a pararem de falar que aceitam o acordo fora da sala de negociação e assinarem um documento em Durban. "Não estamos interessados em declarações. Se os Estados Unidos não estão mesmo bloqueando as negociações e estão prontos para seguir adiante, eu quero ver isso no texto, quero ver uma assinatura", afirmou.

Segundo ele, quando declarações são feitas fora da sala de negociação, "isso pode ir para qualquer direção". "Eu posso dizer uma coisa e mudar de ideia depois que sair pela porta", disse.

Hood falou com jornalistas em nome do grupo Aliança dos Pequenos Estados Insulares (Aosis), que reúne nações que sofrem principalmente com a subida do nível do mar.

O ministro discordou da campanha de ONGs para que os americanos deixassem a negociação e parassem de atrapalhar o processo. "Perguntar se eu quero que os Estados Unidos deixem as negociações é como me perguntar como eu quero morrer: se com um tiro ou com facada. É inaceitável."

Os chineses disseram que aceitam um acordo com força de lei, mas impõem condições. A Índia joga mais duro, afirmando que ainda tem grande parte da sua população na pobreza e que quem causou o problema foram os países industrializados. Apesar disso, os indianos demonstraram ontem estar mais abertos à proposta da UE. / AFRA BALAZINA, ENVIADA ESPECIAL

Análise: Tasso Azevedo

É sempre arriscado comentar as discussões ainda em andamento em COPs climáticas, já que tudo pode mudar nas longas horas de debates. Mas o clima em Durban sugere que está a caminho um pacote de decisões importante.

As duas principais decisões, interligadas, seriam a confirmação de um novo período de compromisso para o Protocolo de Kyoto e o estabelecimento de um processo negocial para que até meados da década seja estabelecido um novo acordo com obrigações e metas para todos os países a partir de 2020.

As emissões do planeta estão subindo e superam 50 gigatoneladas de gases-estufa por ano. A maior parte das emissões já vem dos países em desenvolvimento e o atual arranjo que obriga apenas parte dos desenvolvidos a reduzir emissões (os signatários do Protocolo de Kyoto) não nos permitirá reduzir as emissões em 80% até 2050, como sugere o Painel do Clima da ONU.

Até agora, a resistência de China, Brasil e Índia de aceitarem iniciar um acordo com obrigações para todas as partes em relação à redução das emissões vinha sendo um entrave para que países desenvolvidos aceitassem um novo compromisso no protocolo. Por isso, a sinalização dada pela China, no início da semana, e pelo Brasil, ontem, de aceitar trabalhar em um novo acordo com compromissos já em 2020, está permitindo que toda a engrenagem comece a girar. Outras decisões serão tomadas na esteira do caminho aberto por essas duas, como o estabelecimento do Fundo Verde Climático, um programa de adaptação de mudanças climáticas, entre outros.

Tudo isso deveria ser o resultado da COP-15, em Copenhague, há dois anos. Agora, é recuperar o tempo perdido.

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