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Entrevista.

Chefe de clima da Organização das Nações Unidas espera a aprovação do Fundo Verde Climático

'Países precisam aumentar esforços para reduzir emissões'

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AFRA BALAZINA

ENVIDA ESPECIAL A DURBAN

03 Dezembro 2011 | 03h 02

A costa-riquenha Christiana Figueres, secretária executiva da Convenção do Clima da ONU, tem uma missão difícil na 17.ª Conferência do Clima, a COP-17, em Durban: facilitar um acordo entre os países para combater as mudanças climáticas. Em sua opinião, não adianta apenas EUA e China, os maiores emissores mundiais de gases-estufa, que não participam do Protocolo de Kyoto - tratado em que os países industrializados têm metas obrigatórias de cortes de emissão de CO2 -, chegarem a uma solução. "Esse é um problema global", afirmou em entrevista ao Estado. Ela diz esperar a aprovação do Fundo Verde Climático, criado na COP-16, que ainda não começou a funcionar.

Qual o balanço dos 20 anos da criação da Convenção do Clima?

As conquistas são os dois instrumentos vinculantes para todos os países - a convenção em si e o Protocolo de Kyoto - e a expectativa de que a ação contra as mudanças climáticas será em conjunto.

E quais são os resultados positivos desde a Eco-92?

Temos 33 países com legislação doméstica para reduzir emissões. Temos todos os países industrializados com compromissos de mitigação no Acordo de Copenhague, reiterados no de Cancún. Temos 40 países em desenvolvimento que se deram conta de que podem contribuir. E temos as 500 maiores empresas do mundo fazendo relatórios de emissões.

Qual é a alternativa se não

houver uma segunda fase do

Protocolo de Kyoto?

O protocolo não acaba. O que se encerra é o primeiro período do Compromisso de Kyoto, em dezembro de 2012. Há alguns anos os países negociam como continuar a política e o marco regulatório internacional que rege o controle das emissões de CO2. E em Cancún isso não foi alcançado. Uma das opções foi oferecida pela União Europeia: considerar um segundo período de compromisso desde que certas condições sejam atendidas. Agora, discutimos essas condições.

Qual é o impasse a respeito do Fundo Verde Climático, que foi criado no ano passado e teve poucos avanços?

Houve um acordo teórico em Cancún sobre ele. Neste ano tivemos 40 governos trabalhando no desenho do fundo. O texto foi introduzido pela primeira vez ontem (anteontem) e houve uma rodada de comentários sobre ele. Em sua grande maioria, os países foram a favor de aprovar o texto aqui em Durban, porque sabem que o fundo é um dos instrumentos críticos para o apoio aos países em desenvolvimento. Mas ainda é muito cedo para saber que mudanças deverão ser feitas no documento.

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