EFE|Ettore Ferrari
EFE|Ettore Ferrari

Papa defende combate à corrupção em texto

Em prólogo do livro 'Corrosão', publicado por um cardeal, Francisco classifica a corrupção como 'a pior praga social', 'a origem da exploração do homem' e 'a raiz da escravidão, do desemprego e da má gestão das cidades'

Agência EFE, O Estado de S.Paulo

15 Junho 2017 | 19h27

O Papa Francisco defende o combate ao "câncer da corrupção", que considera ser "a pior praga social" e a origem de crimes graves, no prólogo que redigiu para o livro "Corrosão", lançado hoje. As informações são do jornal italiano Corriere della Sera.

"A corrupção é a pior praga social, porque gera problemas e crimes gravíssimos que envolvem a todos", diz Francisco no livro escrito pelo cardeal Peter Tuckson e pelo filósofo Vittorio Alberti, respectivamente, prefeito e membro do Dicastério (um dos ministérios do vaticano) do Desenvolvimento Humano Integral.

Francisco afirma que cristãos e não cristãos precisam ser "como flocos de neve que formam uma avalanche, um movimento forte e construtivo. Esse é o novo humanismo. Esse renascimento, essa recriação contra a corrupção que podemos realizar com audácia profética."

"Trabalhemos todos juntos, cristãos, não cristãos, pessoas de qualquer fé e não crentes, para combater essa forma de blasfêmia, esse câncer que destrói nossas vidas", acrescenteu o Papa.

Francisco alerta apara a "necessidade urgente" de que se tome consciência do problema e, para ele, "é preciso educação, cultura misericordiosa, cooperação por parte de todos, segundo as próprias possibilidades, talento e criatividade."

No prólogo do livro, cujo tema é "como combater a corrupção na Igreja e na sociedade", o sumo pontífice considera que "esse flagelo é a origem da exploração do homem, da degradação e da falta de desenvolvimento, da origem do tráfico de armas, da injustiça social e da mortificação do mérito."

O Papa acusa a corrupção de ser "a raiz da escravidão, do desemprego, da má gestão das cidades, dos bens públicos e da natureza."

Segundo Francisco, a corrupção é "a linguagem das máfias e das organizações criminosas no mundo" e o corrupto "esquece de pedir perdão porque está saciado e cheio de si."

O sumo pontífice também aborda, no texto, o problema da corrpção no interior da Igreja e cita o cardeal francês Henri de Lubac, que dizia: "o maior perigo é o mundanismo espiritual, que é a corrupção, e que é mais desastrosa que a infame lepra".

"Nossa corrpção é o mundanismo espiritual, a tibieza, a hipocrisia, o triunfalismo, o fazer prevalecer sobre nossas vidas só o espírito do mundo e a indiferença", escreveu Francisco.

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