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Paquistão sugere envolvimento da al-Qaeda em morte de Bhutto

Ex-premiê do Paquistão prometia reprimir grupos extremistas islâmicos.

28 de dezembro de 2007 | 10h 50

O governo do Paquistão afirmou nesta sexta-feira que há grande probabilidade de que a rede extremista al-Qaeda esteja envolvida no assassinato da ex-primeira-ministra do país, Benazir Bhutto.

O jornal Asia Times noticiou que um de seus correspondentes recebeu um telefonema de Mustafa Abu al-Yazid, comandante da al-Qaeda no Afeganistão. Segundo o jornal, ele responsabilizou a organização pelo atentado que matou a líder oposicionista.

A notícia, contudo, não foi confirmada.

Bhutto era uma mulher com muitos inimigos potenciais. Ela era odiada pela al-Qaeda e por seus aliados no extremismo islâmico por suas posições pró-Ocidente e por sua promessa de que, se eleita, iria reprimi-los.

Mas a ex-primeira-ministra paquistanesa também não agradava a alguns integrantes do serviço de inteligência e do Exército de seu país, que temiam que sua volta ao poder poderia ameaçar suas posições e seus laços estreitos com os islâmicos.

Depois da morte de Bhutto, houve alegações de que eles podem ter sido complacentes no assassinato ou até responsáveis pela morte da ex-primeira-ministra, por causa da segurança precária durante o comício em que ela morreu.

Motivos

A maioria dos analistas aposta na primeira opção: que o atentado é de autoria da al-Qaeda ou um de seus grupos afiliados. Certamente os islâmicos tinham um motivo mais forte para o ataque. Há muito tempo, o líder da rede, Osama bin Laden, pede a desestabilização do governo paquistanês.

No entanto, mesmo que a responsabilidade pelo assassinato de Bhutto permaneça incerta, o assunto já criou um debate sobre a possibilidade de o Paquistão estar em vias de sofrer uma tomada por parte dos islâmicos.

O extremismo islâmico, claro, está presente desde a criação do país. Porém, sua força atual iniciou com a ocupação soviética do país vizinho, o Afeganistão, na década de 80. Nesta época, o serviço de inteligência paquistanês ajudou a criar vários grupos islâmicos.

Depois disso, vários líderes paquistaneses demonstraram uma tendência a acreditar que poderiam acionar e desativar estes grupos de acordo com seus próprios objetivos.

Os problemas crescentes com militantes em áreas tribais e, agora, dentro do próprio Paquistão sugerem que militares e agentes da inteligência perderam o controle sobre esses grupos.

Segundo os analistas, "o gênio foi tirado da lâmpada" e não pode ser recolocado nela com facilidade.

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