Para comer bem e fugir do cardápio de avião

Chefs como Gordon Ramsay agora têm restaurantes no aeroporto, inclusive com menus gastronômicos

Susan Catto, The New York Times, O Estado de S.Paulo

02 Maio 2008 | 00h34

No ambicioso cardápio do Gordon Ramsay Plane Food, restaurante que abriu há cerca de um mês no novo Terminal 5 do Aeroporto Heathrow, de Londres, o chef-celebridade Ramsay fez poucas concessões ao local. O jantar pode começar com uma torta de ervilha, alho-poró e queijo de cabra, seguida de cordeiro brasado com mel e cravo ou perca no vapor com aspargos brancos e erva-cidreira. E se a perspectiva de engordar um pouco não for alarmante, a sobremesa pode ser um fondue de chocolate Valrhona com banana, marshmallow e waffle. A refeição completa sai por 32 libras, ou US$ 64, não incluídos vinho ou gorjeta. Ramsay não é o único chefe com ponto em aeroporto. Este verão o francês Nicolas Le Bec , que ganhou duas estrelas Michelin, levará a cozinha lionesa ao Espace Le Bec, restaurante com vista para a pista do Aeroporto Lyon-Saint Exupéry, na França. E no Altitude - casa com inauguração prevista para outubro - no Aeroporto Internacional de Genebra, o cardápio será atentamente supervisionado por Gilles Dupont, chef internacionalmente reconhecido do Auberge du Lion d?Or , no Lago Genebra, Suíça. Todd English, chef americano e apresentador de televisão, abriu sua Bonfire Steakhouse no Kennedy International Airport, em Nova York, e no Logan International Airport, em Boston, Massachussets. Estão sendo preparadas ainda instalações em Las Vegas e Chicago. "Viajo muito e tenho passado muita fome nessas viagens", disse English, cuja churrascaria tem especialidades como taco de lagosta e hambúrguer Kobe de 450 gramas. "Daí, deduzi que há certamente uma grandedemanda por comida decente em aeroportos." Até recentemente, jantares requintados em aeroportos existiam apenas nos lounges das empresas aéreas. Passageiros sem status de viajante VIP estavam relegados a praças de alimentação ou pontos de refeições rápidas. Mas a culinária de luxo começa a chegar a aeroportos pelo mundo. O ideal, dizem restaurateurs, é oferecer estabelecimentos refinados onde você comerá bem e não perderá o último prazo de embarque porque o garçom ignora seus gestos para trazer a conta. Com sua proposta de privacidade, conforto e eficiência esses restaurantes seriam um forte atrativo para pessoas que viajam a negócios e podem se reunir neles antes do vôo. No Plane Food, por exemplo, não são raras reservas para 12, 14 executivos, informa Stuart Gilles, que trabalha com Ramsay e supervisiona o restaurante. Para grupos menores, ou duas pessoas em viagem de negócios, uma mesa de canto num bar de vinho ou churrascaria é mais prático para "espalhar papéis" que o lounge de embarque ou as poltronas do avião. "Pela minha experiência, quando vou viajar à noite, faz diferença saber que, no aeroporto, encontraraei um ótimo jantar", diz Kevin Mitchell, presidente da Business Travael Coalition, grupo de defesa de empresas e executivos usuários de serviços aéreos . "Em lugar de uma comida insípida de avião, pode-se desfrutar de uma refeição decente, com um copo de vinho, e esperar confortavelmente o embarque." E acrescenta: "De qualquer modo, você sempre tem de chegar bem antes ao aeroporto."

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