Para pesquisadores, conexão é instável

As tecnologias de terceira geração, por mais avançadas, não deixam de ter características típicas de qualquer tipo de comunicação sem fio: alta instabilidade de sinal e performance reduzida de acordo com a quantidade de pessoas utilizando a rede ao mesmo tempo. É por isso que a velocidade de uma conexão 3G oscila a cada segundo. A opinião é dos pesquisadores em telecomunicações ouvidos pelo Link César Kyn D’Ávila, pesquisador colaborador da Unicamp, e Marcelo Sampaio de Alencar, da Universidade Federal de Campina Grande e presidente do Instituto Brasileiro de Estudos Avançados em Comunicações (Iecom). "No mercado dizem que o 3G pode substituir a banda larga, mas sempre haverá problemas típicos da plataforma wireless", diz D’Ávila. "A instabilidade é maior porque qualquer interferência provoca ruídos no sinal. Portas, paredes e até mesmo um caminhão que passa na rua contribuem para reduzir a velocidade", completa. A banda larga fixa – por meio de cabos – é mais estável porque há menos interferências dos ruídos, embora eles sempre estejam presentes. "A transmissão de cabos tem um percurso menor e mais direto. É uma rede mais confiável, com taxas maiores, na qual o limite é só o meio físico. Teoricamente a conexão pode ser transmitida em qualquer velocidade. No celular a transmissão é limitada pelo percurso porque o sinal não se propaga diretamente para a torre", explica Alencar. A velocidade é influenciada ainda conforme a quantidade de pessoas conectadas na mesma região, por uma mesma antena (estação rádio-base) de celular. Até mesmo o ângulo de posição dos transmissores e receptores na torre pode causar um problema no sinal. Uma conexão com velocidade de até 7 megabits por segundo (Mbps), como a oferecida pela Tim, é quase impossível de ser alcançada, uma vez que o máximo que a tecnologia 3G suporta é 7,2 Mbps. "Sete Mbps é o que chamamos de ‘taxa de melhor esforço’, que só é conseguida quando há poucos usuários, impossível de atingir quando você tem milhões de celulares em uma rede", afirma Alencar. D’Ávila concorda. "Fiz testes e essa velocidade só é possível em casos muito especiais. Em condições comerciais, nunca uma operadora poderia garantir esse pico." O pesquisador já consideraria razoável se fosse garantida uma velocidade de 500 Kbps. Para Alencar, ainda levará tempo para a banda larga móvel substituir a internet fixa. "Pelo que tenho visto, ainda é preciso muito investimento em infra-estrutura para justificar a mudança." F.S. e M.V.B.

18 Agosto 2008 | 00h00

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