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Passageiros reclamam de falta de informação no Rio

THAISE CONSTANCIO - Agência Estado

22 Janeiro 2014 | 20h 13

Foi um dia de caos para quem tentava chegar ao trabalho de trem nesta quarta-feira, 22, no Rio. Na pequena Estação São Francisco Xavier, na zona norte, transformada pelo acidente em ponto terminal, passageiros reclamavam da dificuldade para deixar a plataforma e da falta de informação e de atendimento dos funcionários da Supervia Trens Urbanos. Desorientados e desesperados, passageiros arriscaram a vida, ao se jogar no meio da rua para fazer sinal para os ônibus, que passavam superlotados em direção ao centro. Sem dinheiro para pagar uma nova passagem, muitos aguardavam sentados no chão de estações.

Sob sol forte e no meio da confusão, vários usuários passaram mal. Uma mulher desmaiou logo que saiu da estação de trem e foi ajudada por passageiros. Policias militares e funcionários da Supervia que estavam no local só prestaram os primeiros-socorros depois que os passageiros começaram a gritar por ajuda. Ainda desacordada, ela foi levada numa viatura da Polícia Militar (PM) para uma clínica perto da estação.

O pintor Paulo Nascimento, de 54 anos, pegou o trem às 6h15 em Nilópolis, na Baixada. Nascimento precisava chegar à Cinelândia às 8 horas, mas às 8h30 ainda estava na São Francisco Xavier. "Ficamos presos dentro da estação e houve confusão para sair. Tenho pressão alta e não posso ficar no tumulto, então, tive de esperar todo esse tempo para sair." Mesmo com o atraso e a confusão, ele ainda tentava chegar ao trabalho. "Nem procurei ressarcimento. Vou tentar chegar, mesmo que ao meio-dia, para não perder o dia inteiro."

Grávida de 6 meses, a operadora de telemarketing Luciene Cardoso, de 26, embarcou em Japeri às 6h e tentava chegar à Central. Somente às 8h45, Luciene conseguiu sair da São Francisco Xavier. Ela afirmou que não recebeu ajuda de nenhum funcionário da Supervia para deixar a estação. Para completar, não conseguiu ligar para o trabalho. "Ninguém me ajudou em nada. Agora, preciso arrumar um jeito de voltar para casa. Não tenho como ir para o trabalho."

Moradora de Mesquita, a cuidadora de idosos Alexandra Lemos, de 40 anos, seguia para o primeiro dia no novo emprego, no Catete, onde deveria chegar às 8h. Mesmo com o bilhete comprado às 6h30, só foi informada das dificuldades depois de ter embarcado. "Meu celular descarregou e não consegui avisar que me atrasaria. Vão achar que eu costumo me atrasar para o trabalho." Mesmo com a falta de informação, Alexandra e duas amigas conseguiram o tíquete de restituição e uma declaração da concessionária explicando o motivo do atraso.

Sem informação, a babá Simone Aquino, de 40 anos, tentava embarcar no ônibus com o tíquete entregue pela Supervia. "Tem de pagar o ônibus? Pensei que era para passar com esse bilhete que eles entregaram", disse. Acompanhada por Alexandra e outra amiga, ela tentava chegar à Urca, na zona sul. "Normalmente, pego trem, metrô e um ônibus. Nem sei como vou fazer hoje." O fiscal de ônibus Antônio Carlos Ferreira, de 45 anos, foi deslocado de Cascadura, no subúrbio, para a São Francisco Xavier, com o objetivo de orientar os passageiros. Morador da Pavuna, Ferreira pega três ônibus para chegar ao trabalho, mas se sentiu constrangido com a situação dos passageiros do trem. "Todos nós que usamos transporte público ficamos constrangidos com essa situação. Fiquei muito triste em ver o povo passando por isso."

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