Pé de porco, um hit coreano

Jeitão rústico oculta a carne tenra

Jocelyn Auricchio, O Estado de S.Paulo

29 Maio 2008 | 03h13

Ah, os sabores, odores e texturas da Ásia... Quando fui para Seul, foi com um certo receio. Sabia que a comida era muito apimentada, saborosa. Mas também existia o tabu da carne de cachorro. Quase cai para trás quando serviram bulgogui, que eu tinha entendido buldogue. Santa estupidez. Bulgogui é uma carne de boi muito boa, meio agridoce, servida na chapa. Fiquei aliviado quando descobri que o cachorro havia sido banido de Seul, ainda na época das Olimpíadas de 1988. Para comer cachorro, só na periferia. O hit em Seul é o pé de porco. Isso mesmo. Nos coloridos, perfumados e caóticos mercados a céu aberto da cidade, a iguaria é consumida entusiasticamente pelos locais. Bem, o primeiro contato que tive foi péssimo. Um engraçadinho me falou que eram filhotes de cachorro no espeto. Horrorizado, quase fugi de lá correndo. Depois de me informar no posto de assistência ao turista, me explicaram que aquilo era pé de porco. Aliviado, fui provar o acepipe e não me arrependi. Não sou exatamente um entusiasta da carne de porco, mas devo admitir, o negócio é bom. O aspecto ressecado não faz justiça à textura da carne. A pele de fora, crocante como pururuca, esconde uma carne tenra e saborosa. Nunca poderia imaginar que aquilo, com aquele aspecto grotesco, seria tão gostoso. Para terminar a viagem gastronômica, passei reto por uma barraca que vendia espetinhos de frutos do mar, que por estarem sem refrigeração, pelo menos para mim, eram um convite ao desconforto gástrico. Fui seco nas frutas, geladinhas, vendidas no espeto. E não é que foi saboroso?

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