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Pesquisa diz que Europa é lugar mais acolhedor para homossexuais; África é pior

SUSAN HEAVEY - REUTERS

27 Agosto 2014 | 21h 07

A maioria das pessoas em nações europeias diz que sua comunidade é um lugar acolhedor para gays e lésbicas, de acordo com uma pesquisa divulgada nesta quarta-feira, que também revelou que muitos moradores de países africanos veem sua terra natal como hostil a homossexuais.

O levantamento do instituto Gallup com mais de 100 mil pessoas em 123 países descobriu que só 1 ou 2 por cento dos entrevistados em Senegal, Uganda, Mali e Etiópia consideram seus países acolhedores com os gays em um continente no qual as relações entre o mesmo sexo ainda são em grande parte um tabu.

Uma exceção parece ser a África do Sul, o único país africano onde casamentos do mesmo sexo são legais. Quase metade dos entrevistados ali disseram que sua comunidade é hospitaleira com os gays, embora pouco mais da metade discorde.

“Boa parte da África continua a lutar por direitos humanos para todos os moradores e poucos na região acreditam que suas comunidades são bons lugares para gays e lésbicas. O sentimento antigay é aparente", afirmou o instituto.

O levantamento revelou que 83 por cento dos holandeses afirmaram que o país é um “bom lugar” para os homossexuais viverem, cifra seguida por 82 por cento na Islândia, 79 por cento na Espanha, 77 por cento na Grã-Bretanha e 75 por cento na Irlanda.

No Canadá, 80 por cento declararam que sua comunidade é acolhedora, de acordo com o Gallup.

Só três de cada 10 entrevistados em todo o mundo disseram que sua comunidade é um “bom lugar” para gays e lésbicas. A proporção é de 70 por cento nos Estados Unidos, que ficou em 12º lugar entre os países pesquisados.

O pesquisador da Universidade da Califórnia no Instituto Williams da Faculdade de Direito de Los Angeles, Gary Gates, que lida com demografia e temas relacionados a gêneros, afirmou: “Estas descobertas mais recentes mostram que, para muitos gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros (LGBT) de todo o mundo, ser aberto a respeito de sua orientação sexual ou identidade de gênero envolve um risco considerável”.

O Departamento de Estado norte-americano tem denunciado países africanos rotineiramente por graves violações dos direitos humanos, incluindo contra gays e lésbicas, que muitas vezes são alvos de discriminação e violência.

Outra pesquisa do Gallup do início deste ano apontou que mais pessoas que se identificam como LGBT relatam bem-estar geral mais baixo.

O levantamento desta quarta-feira, baseado em dados coletados entre 2009 e 2013 em entrevistas face-a-face, tem uma margem de erro de entre 2,1 e 5,6 pontos percentuais, dependendo do país.