Pesquisador vê potencial educacional nos games

Matemática, ciências e videogames? Um professor universitário norte-americano está incentivando as escolas a considerarem o uso de videogames como ferramentas educacionais a fim de melhor preparar as crianças para o futuro mercado de trabalho. Embora muitos educadores rejeitem a idéia de videogames em escolas, as forças armadas dos Estados Unidos dispõem de títulos usados para treinar soldados, adolescentes pacientes de câncer usam jogos para combater a doença virtual e fisicamente e alguns cirurgiões empregam jogos eletrônicos para manter a agilidade de suas mãos. David Williamsom Shaffer, professor de educação para a ciência na University of Wisconsin-Madison, diz que as escolas deveriam usar jogos eletrônicos a fim de preparar crianças para competir no mercado de trabalho, onde o uso da tecnologia é um requisito cotidiano. "As pessoas acreditam que a maneira pela qual crianças são ensinadas na escola é a maneira natural pela qual devemos aprender", disse Shaffer, autor do livro "How Computer Games Help Children Learn" ("Como Jogos de Computador Ajudam Crianças A Aprender"). "Mas os jovens dos Estados Unidos estão hoje sendo preparados para empregos padronizados em um mundo que, em breve, estará punindo aqueles que não demonstrarem capacidade de inovar. Nós simplesmente não podemos promover inovação por meio de métodos repetitivos de aprendizado", disse. Shaffer argumenta que os jovens que ingressam na força de trabalho competirão desde o primeiro dia com trabalhadores capacitados de todo o mundo, providos de anos de experiência tecnológica. Por isso, as crianças deveriam receber a oportunidade de empregar sua capacidade inata de ouvir música ao mesmo tempo em que jogam videogames, assistem a vídeos, navegam pela Web ou trocam mensagens com amigos em computadores e celulares, enquanto aprendem sobre coisas como biologia, história ou física. Interação O professor acredita que o sistema educacional em uso tenha sido criado no final do século 19 a fim de preparar as pessoas para a vida em um país dominado pela indústria, e não para o mundo imerso em tecnologia no qual hoje vivemos. Shaffer disse que essa nova abordagem também ajudará os Estados Unidos a competir com nações em rápido desenvolvimento como Índia e China, que estão criando engenheiros e cientistas a um ritmo mais acelerado. O pesquisador e sua equipe desenvolveram uma série de games que ajudam estudantes a aprenderem a pensar como engenheiros, planejadores urbanos, jornalistas, arquitetos e outros profissionais. Ele publicou uma lista de títulos que podem ser consultados na internet (veja o link acima).

Agencia Estado,

12 Janeiro 2007 | 11h23

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