Photosynth cria sensação de profundidade ao compilar fotos

Desde fevereiro, a Microsoft quer comprar o Yahoo, sem sucesso em quatro etapas de negociação. Isso em primeira análise nada tem a ver com o lançamento do Photosynth, na semana passada. Mas tem. Os engenheiros do Microsoft Live Labs, departamento de pesquisa da empresa antes comandada por Bill Gates, se inspiraram no Flickr para propor o software que reconhece imagens. Apostavam numa integração com a comunidade de fotos para o sucesso comercial do site. Como a compra não rolou, o Photosynth teve de desencantar sozinho. O dia de lançamento oficial, na quinta-feira passada, sobrecarregou os servidores da Microsoft e o site ficou fora do ar durante a maior parte do dia. O Link teve acesso à ferramenta antes de ela entrar no ar – e por isso conseguiu testá-la e ainda fazer brincadeiras. Colocamos no Photosynth 105 fotos da Redação do Estadão para o leitor ter noção, em 3D, do nosso canto no jornal. Quem quiser ver, pode acessar na versão online desta matéria, no link.estadao.com.br. A interface tem ótima usabilidade. Logo que entra no site, o internauta pode fazer o login com o Windows Live ID, os mesmos usuário e senha do Hotmail (quem não tem, pode criar um na hora). A partir daí, basta clicar em "Create Synth" (ainda não há previsão de tradução para o português) e escolher as fotos para fazer upload. O sistema então escaneia as imagens, reconhece pontos em comum a partir de cores e sombras, encaixa as fotos e constrói o objeto ou cenário fotografado em 3D. Tudo sozinho. Os resultados são impressionantes. No Brasil, a Microsoft contratou a agência Megaphoto para construir os synths de demonstração e fotografou todos os ângulos possíveis da Catedral da Sé e do Monumento às Bandeiras. Uma vez com as fotos na tela, dá para navegar apenas pelos pontos que formam o 3D ou passar por cada imagem individualmente. No caso da Sé, vê-se a praça inteira com um nível de zoom impressionante que chega ao detalhe do entalhe da madeira da porta da igreja. PRA QUE SERVE? Nos exemplos já há uma das possíveis utilidades do Photosynth: o turismo. Outra possibilidade é a educação, como fez o Museum of Comparative Zoology de Harvard. Um armário com insetos pode ser explorado facilmente no site, inclusive apenas um besouro ou a gaveta inteira ou o armário todo. Dar a sensação de imersão é o grande mérito do novo software da Microsoft, coisa que nenhum vídeo ou foto sozinhos conseguiram até hoje. A inspiração no Yahoo não terminou no Flickr. Toda a filosofia de compartilhamento adotada pelo portal – a mesma do Google – também foi captada. Por isso, é possível incorporar ("embedar") o Photosynth a qualquer site ou blog, além de oferecer 20 gigabytes (GB) gratuitos de espaço para cada usuário e a inserção de tags de georreferência no Virtual Earth, serviço online de mapas da empresa. No futuro, a Microsoft quer que os synths de diferentes usuários "conversem". Se eu fiz fotos da árvore de Natal do Parque do Ibirapuera e você também, pronto, o site junta tudo e deixa ainda mais detalhado o protótipo 3D. Tornar o Photosynth "social" pode revolucionar o compartilhamento de conhecimento online, hoje ainda majoritariamente textual (vide Wikipedia, Knol, etc.). Para não correr o risco de o site se confundir com as imagens, o usuário deve seguir algumas regrinhas de uso. A própria Microsoft fez um vídeo de tutorial pedindo fotos próximas uma da outra na horizontal, tendo o fotógrafo como eixo, ou girando em torno do objeto fotografado, jogando o eixo para o objeto. Quanto mais fotos na coleção, maior a chance de uma melhor sincronia entre as imagens. O Photosynth só não se dá bem com espelhos. Aí, só juntando o 3D com inteligência artificial – o que ainda deve demorar uns anos. LIDE BEM COM O PHOTOSYNTH HORIZONTAL - Sempre tire fotos com a câmera na horizontal. Verticais confundem o software. FILTROS - Não coloque filtros de cores na lente. ESPELHOS - Fuja deles. INTENÇÃO - Fotografe já pensando no Photosynth e não deixe "buracos" na seqüência de imagens. TUTORIAL - http://is.gd/1Qwj Veja a redação do Link no Photosynth.

Lucas Pretti,

25 Agosto 2008 | 00h00

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