Plano de cotas das universidades de São Paulo cria opção ao vestibular

O governador Geraldo Alckmin (PSDB) anuncia hoje a proposta mais ousada já feita para mudar o acesso à USP, Unicamp e Unesp. A principal inovação é a criação de um colégio comunitário que será opção ao vestibular e principal porta de entrada para o ensino superior de alunos de escolas públicas - particularmente os de baixa renda e, em menor escala, pretos, pardos e indígenas. O colégio é o diferencial da proposta em relação à Lei de Cotas federal, que provocou o debate em São Paulo.

O Estado de S.Paulo

20 Dezembro 2012 | 02h07

Com essa estratégia, mantendo as políticas de bonificação já adotadas para cada uma das universidades, o Programa de Inclusão com Mérito no Ensino Superior Público Paulista (Pimesp) prevê chegar a uma "cota" de 50% de vagas para estudantes de escolas públicas até 2016. Dentro desse universo, o Pimesp propõe critérios de renda e raciais. "Nós queremos que esse porcentual de inclusão valha para todos os cursos", afirmou o reitor da USP, João Grandino Rodas.

A ideia é que candidatos com esse perfil possam, com base na nota do Enem, disputar vaga no colégio comunitário. Outra opção considerada é a nota no Saresp, avaliação estadual. A partir daí, em até dois anos, eles terão um cardápio de caminhos a seguir na USP, Unesp e Unicamp - e até no Centro Paula Souza (mais informações nesta página).

Quem se formar nesse curso, inspirado nos community colleges americanos, poderá: 1) tirar um diploma de curso sequencial de 1,6 mil horas, já previsto em lei, que permitirá disputar concursos públicos; 2) com um ano adicional de estudos, sair com diploma de tecnólogo do Paula Souza; 3) escolher vaga nos cursos tradicionais, mesmo os mais disputados, como Medicina; 4) fazer parte de uma reserva qualificada para ocupar vagas ociosas.

O embrião do colégio comunitário é o Programa de Formação Interdisciplinar Superior (Profis), criado pela Unicamp, cuja primeira turma se forma agora. Os 50 concluintes tiveram aulas presenciais e online.

"Eles fizeram um curso superior abrangente, na linha dos cursos de liberal arts de colleges americanos. Tiveram aulas de matemática, química e biologia, mas também de ética e filosofia", diz o pró-reitor de Graduação da Unicamp, Marcelo Knobel, membro da comissão que concebeu o Pimesp. "É um currículo muito interessante para o mercado de trabalho, que pede pessoas com formação ampla."

O reitor da USP vai além. "É uma formação que será até melhor que a de muitos cursos de Administração que se vê por aí." O conteúdo online do curso será produzido pela Universidade Virtual do Estado de São Paulo (Univesp). Segundo Rodas, a carga horária a distância vai representar 50% do curso.

Debate. "É importante ressaltar que o projeto que será apresentado é uma proposta de grupo de trabalho para abrir uma grande discussão interna nas universidades, até para respeitar o conceito de autonomia. Aqui na Unicamp essa discussão será feita por unidade", informou Knobel. Rodas disse que a discussão será descentralizada também na USP.

No Profis, a oferta de vagas depende de cada faculdade. Medicina, por exemplo, destinou 5; Física abriu 10. Hoje, a relação candidato/vaga no vestibular da Unicamp em Medicina é de 126 para 1. Para os alunos do Profis é de 10 para 1. "Queremos buscar os melhores talentos em todo o País. Dos 67 mil candidatos do vestibular da Unicamp, 70% são de escolas privadas. Dos egressos do ensino médio no País, 85% são de escolas públicas. É preciso mudar essa lógica."/ SERGIO POMPEU, PAULO SALDAÑA, CARLOS LORDELO E CRISTIANE NASCIMENTO, ESPECIAL PARA O ESTADO

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