PMDB fecha pré-acordo com PT e ocupará vice de Dilma em 2010
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva selou na noite da terça-feira com o PMDB um pré-acordo eleitoral considerado essencial para a o sucesso da campanha a ser liderada pela ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), em 2010. O acerto entre PT e PMDB é o primeiro entre as legendas aliadas ao governo.
O compromisso prevê um peemedebista como vice na chapa de Dilma, a incorporação do PMDB à coordenação da campanha e a participação do partido na elaboração do programa de governo da candidata, que atualmente está atrás da oposição nas pesquisas de intenção de voto. A união dará à campanha amplo espaço na propaganda gratuita de TV.
A formalização da aliança dependerá da decisão das convenções de ambas as siglas em encontros realizados em meados do ano que vem.
"É o primeiro passo que consolidará esta aliança nacional que hoje (terça-feira) ficou pré-estabelecida", afirmou a jornalistas o presidente da Câmara, deputado Michel Temer (SP), presidente licenciado do PMDB. "Hoje foi um grande passo porque, na verdade, nós firmamos um compromisso muito sólido."
A decisão foi oficialmente tomada em jantar realizado no Palácio da Alvorada, residência oficial do presidente da República. Participaram da reunião ministros e líderes de ambas as legendas. O outro porta-voz do anúncio foi o presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP).
"A chapa majoritária do PT e do PMDB é a representação dos dois maiores partidos que sustentam o governo Lula e que nós pretendemos que sustentem a candidatura da ministra Dilma Rousseff", sublinhou.
O deputado Michel Temer é o mais cotado para disputar a vice-presidência na chapa da petista. Na entrevista coletiva, entretanto, o parlamentar evitou o assunto: "Os outros falam, mas eu não falo. O nome será fruto das circunstâncias políticas a serem definidas no ano que vem."
Berzoini e Temer destacaram a intenção de conquistar a adesão dos outros partidos da base aliada. Com esse mesmo objetivo, Dilma se reuniu recentemente com representantes do PCdoB, PDT, PR e PRB, que tendem a apoiar sua campanha. Está agendado para a semana que vem encontro com a cúpula do PP.
Por outro lado, o PSB pode criar um obstáculo ao projeto do presidente Lula de fazer da eleição de 2010 um plebiscito em que os eleitores façam a comparação entre o seu governo e a administração anterior, do PSDB. Embora integrante da base aliada, o partido estuda lançar o deputado Ciro Gomes na corrida presidencial.
Temer defendeu uma candidatura única entre os governistas. "Seria útil para o país que tivesse um bloco com uma candidatura e outro bloco com outra candidatura."
ENTRAVES NOS ESTADOS
Segundo Temer e Berzoini, PT e PMDB divulgarão na manhã desta quarta-feira uma nota conjunta por meio da qual explicitarão os termos do entendimento. Segundo eles, um dos itens deve tratar da meta das cúpulas dos partidos de promover a composição entre as suas lideranças locais.
PT e PMDB são adversários históricos em alguns Estados. Em outros, pretendem disputar os governos estaduais com candidaturas próprias.
"Nós vamos consultar os nossos companheiros dos vários Estados e vamos tentar solucionar em conjunto as questões relativas ao PT e ao PMDB, tentando naturalmente reproduzir esse pré-acordo que nós temos aqui", explicou. Mas admitiu: "Obviamente temos que prestar atenção nas questões regionais."
Outro obstáculo à aliança são os peemedebistas que preferem um acordo com a oposição. Com peso minoritário, esses líderes prometem trabalhar contra a maioria na convenção do partido.
O presidente do PMDB de São Paulo, o ex-governador Orestes Quércia, por exemplo, já prometeu adesão à candidatura do governador José Serra (PSDB), que deve representar a oposição na campanha de 2010. O senador Jarbas Vasconcelos (PE) também está ao lado de Serra.
A força do PMDB está no tamanho de sua presença em todo o país, posição estratégica para a campanha de Dilma, que ainda é pouco conhecida pelo eleitorado.
O PMDB tem 91 deputados federais, 17 senadores, nove governadores e 1.201 prefeitos. Ocupa seis ministérios: Agricultura, Defesa, Integração Nacional, Saúde, Comunicações e Minas e Energia.
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