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PNE só fará revolução se cumprido, avalia especialista

DAYANNE SOUSA E IGOR GADELHA - Estadão Conteúdo

19 Agosto 2014 | 11h 10

A diretora-executiva do movimento Todos Pela Educação, Priscila Cruz, iniciou sua fala no fórum da série Estadão Brasil Competitivo, nesta terça-feira, 19, avaliando que o Plano Nacional de Educação (PNE) é uma agenda importantíssima, que merece toda a atenção da sociedade, mas que só fará uma revolução na educação brasileira se de fato for cumprido no prazo de 10 anos. Segundo ela, o maior erro histórico do Brasil foi o descaso com a educação. Ela defendeu que, além da meta de universalizar a educação infantil, o ensino fundamental e médio até 2016, é preciso investir na qualidade do ensino brasileiro.

Nesse aspecto, afirmou que é necessário alfabetizar todas as crianças no máximo até o final do terceiro ano do ensino fundamental. Além disso, defendeu a implantação de escola integral, citando que a meta é ampliar dos atuais 34,7% para 50% as matrículas nesse regime. Priscila ressaltou ainda que é preciso investir na qualidade dos professores. "Não existe qualidade no ensino sem professores de qualidade", afirmou, avaliando que esse é um debate mundial, no qual o Brasil tem condições de ser referência nessa melhoria.

Além de investir na qualificação dos docentes, a diretora defendeu que é preciso valorizá-los. Para isso, afirmou, "não tem jeito, tem que pagar melhor". "Isso exige muito recurso, mas é o dinheiro mais bem gasto", disse. Ela defendeu que, para o País avançar de forma justa e de forma sustentável, a equação necessária envolve conhecimento diversificado, complementar e coordenado.

Priscila lembrou que, em razão de todos esses problemas da educação, o Brasil está em 57º lugar no ranking do índice de complexidade econômica. Em sua fala, a diretora executiva do Educação Para Todos defendeu que é preciso mudar a estrutura e o modelo da escola atual que, na avaliação dela, estão atrasados e divergentes da sociedade complexa atual. De acordo com ela, a estrutura da escola atual é do século XIX, marcada por um currículo inchado, pouco definido e transparente, o que tem desmotivado os alunos. "Os alunos são do século XXI e vivem em uma sociedade muito mais complexa do que o modelo que vigora", afirmou.

Priscila avaliou também que o modelo de escola atual tem respondido muito pouco à complexidade do mercado de trabalho atual. "Temos que ter coragem para mudar, de quebras as estruturas", defendeu. Ela criticou também que o conhecimento científico, apesar de cada vez maior, está cada vez mais distante da população. Em sua fala durante o fórum, a diretora ainda parabenizou o programa Ciências Sem Fronteiras, do Governo Federal, mas ponderou que é preciso avançar mais.

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