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Polícia do Rio e manifestantes entram em confronto nos Arcos da Lapa

RODRIGO VIGA GAIER - REUTERS

12 Junho 2014 | 14h 51

Manifestantes contrários à realização da Copa do Mundo entraram em confronto com a polícia no centro do Rio de Janeiro nesta quinta-feira, horas antes da partida inaugural do Mundial entre Brasil e Croácia, em São Paulo.

A confusão teve início quando a Polícia Militar deteve um manifestante acusado de afrontar policiais, depois que a marcha de protesto chegou aos Arcos da Lapa, tradicional ponto turístico carioca, e penduraram bandeiras enormes com frases contra o Mundial.

A detenção gerou revolta dos manifestantes e a PM usou spray de pimenta e bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo para dispersar a multidão. Outras pessoas foram detidas.

Cerca de 1.000 manifestantes, segundo a polícia, saíram em marcha da Candelária em direção à Cinelândia carregando cartazes contra a Copa do Mundo e denunciando a má qualidade do atendimento público em áreas como saúde, educação e transporte.

À frente do protesto, manifestantes mascarados, conhecidos como black blocs, queimaram bandeiras do Brasil. Eles fecharam parcialmente as duas principais avenidas do centro da cidade.

"Fifa Go Home", "Estádio Luxo, Hospital Lixo" e "Cadê o trem-bala?" eram algumas das frases escritas nos cartazes levadas pelos manifestantes, que fecharam parte das avenidas Presidente Vargas e Rio Branco.

Nos Arcos da Lapa eles penduraram um cartaz gigante com a frase: "Nós queremos mais dinheiro para saúde, educação e cultura", escrita em português e inglês.

A PM destacou diversos homens para acompanhar a manifestação, que estava transcorrendo de forma pacífica até a primeira detenção. Também houve confronto nas manifestações em São Paulo contra o Mundial nesta quinta-feira.

"Eu até gosto de futebol, mas a maneira que foi feita essa Copa a gente não pode concordar", disse um manifestante que se identificou apenas como Luciano e disse ser servidor público.

"A gente não protestou em 2007 quando o Brasil foi escolhido porque não tinha ideia da sangria que ia ser no país. O lucro fica com a Fifa e os patrocinadores, e o povo com nada. É um evento elitizado, mas quem paga é o povo", disse.

Temendo uma repetição dos atos de vandalismo ocorridos nos protestos do ano passado durante a Copa das Confederações, lojas e agências bancárias do centro do Rio estavam com portas fechadas ou com tapumes de madeira na fachada.

Mais cedo, um protesto formado por poucos aeroviários, que convocaram uma paralisação de 24 horas, bloqueou a avenida que dá acesso ao aeroporto internacional do Galeão, provocando grande congestionamento na região.

A Copa do Mundo tem sido alvo de protestos desde o ano passado. Manifestantes insatisfeitos com os investimentos no torneio, cujos gastos totalizaram 25,8 bilhões de reais, têm tomado as ruas de cidades do país para protestar contra serviços públicos deficitários nas áreas de saúde, educação, transporte e segurança.

A segurança nas cidades-sede da Copa foi reforçada para conter possíveis protestos, como os ocorridos no ano passado durante a Copa das Confederações. Dezenas de atos contra a Copa foram marcados, por meio de redes sociais, para o dia de abertura do torneio. Além disso, greves de diferentes categorias ameaçam prejudicar a realização do torneio.

Os preparativos do Brasil para a Copa foram alvo de críticas pelos atrasos e não realização de projetos de infraestrutura que haviam sido prometidos. Dos 12 estádios, apenas dois ficaram prontos no prazo determinado pela Fifa, e a maioria das obras de infraestrutura atrasou, sendo que algumas delas foram abandonadas.