Polícia investiga mortes no PA, mas descarta vinculação

A polícia do Pará descarta qualquer vinculação entre o assassinato do casal de ambientalistas José Cláudio Silva e Maria do Espírito Santo, na última terça-feira, e a morte a tiros do agricultor Erenilton Pereira dos Santos, no sábado.

CARLOS MENDES, Agência Estado

29 Maio 2011 | 19h34

O corpo do agricultor, que estava desaparecido desde quinta-feira, foi encontrado por um grupo de assentados a 50 metros de uma das estradas vicinais, distante 7 quilômetros do assentamento Praialta/Piranheira, local onde a dupla foi morta. Ele estava caído na mata com uma bala na cabeça. Os assentados avisaram uma equipe do Ibama que fazia inspeção na área e identificou o cadáver.

"Até prova em contrário, não há relação entre as mortes, mas tudo está sendo investigado", declarou o delegado Silvio Maués, que ao lado de outros colegas da Polícia Civil está em Nova Ipixuna participando das buscas para prender os pistoleiros que mataram o casal. Familiares de Santos contaram aos policiais que o agricultor não tinha nenhuma ligação com movimentos sociais da região, embora conhecesse José Cláudio e Maria.

Para o coordenador da Comissão Pastoral da Terra (CPT) de Marabá, José Batista Gonçalves Afonso, a polícia não deve excluir a vinculação entre as três mortes até que tudo seja esclarecido. De acordo com nota emitida pela CPT, no dia em que o casal foi morto, Santos e um cunhado estavam trabalhando em sua roça às margens de uma estrada vicinal, a 5 km do local onde o casal de ambientalistas foi assassinado, por volta das 8h.

Cerca de 40 minutos depois, a vítima teria presenciado dois homens em uma motocicleta, modelo Bros, de cor vermelha, vestidos de jaqueta e portando capacetes. Um deles carregava uma bolsa comprida no colo. As descrições da moto, e dos dois motoqueiros, coincidem com informações prestadas à polícia por testemunhas que presenciaram a entrada, no assentamento, de dois pistoleiros horas antes do crime na manhã de terça-feira.

Ainda segundo o relato, os supostos pistoleiros pararam a moto e um deles abordou um trabalhador que se encontrava no local, pedindo informações de como chegar ao porto do Barroso. O porto é uma das saídas do assentamento em direção ao município de Itupiranga. Eles seguiram viagem. Na quinta-feira, Santos saiu de casa para ir ao mesmo porto comprar peixe, como sempre fazia, mas não retornou ao assentamento.

Segundo o coordenador da CPT, a morte do agricultor é a prova de que a polícia, depois de seis dias das mortes dos ambientalistas, sequer tinha investigado as principais rotas de fuga do assentamento que os pistoleiros podem ter usado. "O detalhe é que desde terça-feira um aparato das Polícias Civil, Militar e Federal está vasculhando a região", ironiza Gonçalves.

Capuz

O secretário de Segurança Pública do Pará, Luiz Fernandes, disse que a investigação sobre a morte do casal de ambientalistas tem avançado, mas ainda não se pode acusar ninguém pelo crime. Peritos do Instituto Renato Chaves estão examinando uma das provas encontradas perto dos corpos de José Cláudio e Maria. É um capuz, deixado pelos criminosos. Parentes das vítimas e moradores do assentamento já prestaram depoimento, fornecendo algumas pistas que a polícia, por enquanto, prefere não revelar.

Mais conteúdo sobre:
mortes Pará ambientalistas polícia

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.