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Polônia e Rússia travam negociações

GIOVANA GIRARDI / DOHA - O Estado de S.Paulo

29 Novembro 2012 | 23h 54

Na conferência do clima em Doha, os dois países querem modificar regras já acordadas

Após quatro dias de negociações na Conferência do Clima da ONU, em Doha (Catar), os ânimos de que seria possível alcançar uma ambição maior de metas de redução das emissões começam a esmorecer, e até mesmo a existência do segundo período de compromisso do Protocolo de Kyoto, decisão que foi vista como um grande avanço da COP de 2011, está sendo ameaçada.

Os dois maiores símbolos desse impasse são a Polônia e a Rússia, que, não à toa, receberam ontem o prêmio Fóssil do Dia da organização de ONGs Climate Action Network (CAN) por "fazerem seu melhor para bloquear as negociações".

Os dois países estão jogando com o fato de que, no primeiro período de Kyoto, que expira no fim do ano, eles reduziram muito mais emissões do que tinham por compromisso fazer. E agora querem carregar esse "bônus" - conhecido como "hot air" - para o segundo período, seja para reduzir a nova meta seja para poder negociá-lo com quem deve.

Diplomatas de outros países, em especial os em desenvolvimento, mas também de nações europeias, alertam que o "hot air" não representa uma redução efetiva e pode acabar pondo por água abaixo os planos de conter a emissão. "O que a Rússia tem de 'hot air' equivale às emissões de um ano dos EUA", diz Carlos Rittl, coordenador do Programa de Mudanças Climáticas e Energia da WWF-Brasil.

O problema é que essa redução a mais que ocorreu em vários países do Leste Europeu não se deu exatamente por eles terem feito mudanças na economia, mas sim por uma questão de adaptação após a queda do Muro de Berlim. As metas de reduções de emissões de Kyoto se referem a quanto era emitido em 1990, época em que o modelo comunista estava caindo e havia ineficiência energética. Com um mínimo de eficiência, foi possível resolver o problema, mas hoje as emissões têm de voltar a crescer.

Efeito cascata. A interpretação geral é que, se Kyoto morrer, levará junto as negociações do novo acordo climático para 2015. É que uma coisa ficou condicionada à outra em 2011, em Durban. A UE concordou em seguir reduzindo emissões nos próximos anos diante da promessa de haver um acordo para todos pós-2020, e países em desenvolvimento, em especial Índia e China, aceitaram entrar nesse tratado futuro porque UE faria sua parte agora. Os EUA, por sua vez, enfim aceitaram entrar num protocolo para reduzir emissões na próxima década porque China e Índia o fariam também.

A ironia é que a Polônia pediu que a COP do ano que vem seja realizada em Varsóvia, o que lança dúvidas sobre seus planos para influenciar as negociações. A notícia causou forte reação em Doha e já começou um movimento para tentar boicotar esse pedido. A decisão deve ficar para a semana que vem, quando chegam os ministros para o segmento de alto nível. A briga, esperam negociadores, deve seguir até o último minuto.

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