Portela fala de tecnologia mas conexão com público não emplaca
A aposta da Portela foi alta: levar para a Marquês de Sapucaí um samba sobre os avanços tecnológicos como maneira de inclusão digital. Os carros exploraram o universo cibernético e as possibilidades abertas pelas novas mídias, mas o enredo pouco animou o público na última noite de desfiles do Grupo Especial do Rio de Janeiro, na segunda-feira.
Terceira escola a se apresentar, a Portela dos carnavalescos Alex de Oliveira e Amauri Santos, estreantes no grupo de elite do Carnaval carioca, prometia um desfile "clean" e inovador com o enredo "Derrubando fronteiras, conquistando liberdade: Rio de paz em estado de graça".
"Queremos dar uma leitura nossa ao Carnaval... A Portela é (uma escola) tradicional, mas sempre foi de vanguarda"", disse Santos à Reuters antes do desfile. "Nossa aposta é uma mudança, já que o enredo permitiu".
Apesar da promessa, o desfile abusou do azul-e-branco tradicional da escola que, somado ao prateado tecnológico, deixou a Sapucaí pouco colorida, em contraste aos desfiles anteriores, o que contribuiu para a reação tímida da plateia, que reagia apenas com a passagem dos ritmistas da bateria, fantasiados de megabytes.
Um dos destaques da Portela foi a águia símbolo da escola que, com ar tecnológico, se movimentava e emitia ruídos eletrônicos no carro abre-alas. As alas seguintes representaram as possibilidades de inclusão social pelos meios digitais, exibindo figuras de robôs, satélites e computadores. Em um dos carros, um imenso telão possibilitava que os espectadores enviassem, por celular, mensagens de texto que foram exibidas ao vivo.
Na última composição, o conflito entre policiais e traficantes foi representado por um jogo de computador entre o bem e o mau e fantasias expressavam o pedido de "paz" na cidade. A alegoria fez uma alusão ao programa de pacificação dos morros da cidade, com as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs). Na maior das comunidades, no morro da Dona Marta, os moradores têm acesso à Internet sem fio gratuitamente.
Na última ala, os integrantes vestiam fantasias com a palavra "winner" (campeão em inglês), grito que a escola tenta repetir desde seu último título do Carnaval carioca, em 1984.
Antes da Portela, desfilaram Porto da Pedra ("Com que roupa eu vou, pro samba que você me convidou?") e Mocidade Independente de Padre Miguel ("Do paraíso de Deus ao paraíso da loucura, cada um sabe o que procura"), que abriu a segunda-feira de apresentações. As escolas Grande Rio ("Das arquibancadas ao camarote número 1: um Grande Rio de emoção na apoteose do seu coração"), Vila Isabel ("Noel: a presença do poeta da Vila") e Mangueira ("Mangueira é música do Brasil") encerram a noite.
(Com reportagem de Maria Pia Palermo e Pedro Fonseca)
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