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Portela inova com voo de águia em passarela azul

ROBERTA PENNAFORT - Agência Estado

04 Março 2014 | 04h 30

Como no samba-exaltação de Paulinho da Viola, a Portela pintou de azul

a Passarela do Samba. Encantou o público e fez um desfile de candidata ao título deste carnaval - foi saudada assim ao fim da apresentação por parte das arquibancadas. O enredo da escola de Madureira era a Avenida Rio Branco, a via mais representativa do centro do Rio, seu entorno e as transformações por que a região passou do século 16 ao 21.

A passagem da Azul-e-branca mexeu com a Sapucaí desde o comecinho, quando alçou voo uma águia (símbolo da Portela) drone comandada por controle remoto. A tecnologia é da Marinha e vinha sendo testada havia três meses secretamente, segundo o carnavalesco Alexandre Louzada.

Outra novidade foi a escultura de 18 metros de altura que simbolizava o "gigante adormecido que acordou", uma alusão às manifestações de rua iniciadas em junho do ano passado. Ele ora se abaixava, tomando o formato de uma rocha, ora se levantava, uma referência ao levante popular em busca de melhores condições de vida. A Sapucaí ficou atônita e aplaudiu muito. Segundo Louzada, é a maior escultura que passou na avenida em 30 anos de Sambódromo.

De asas abertas, as 22 águias do abre-alas - simbolizando os 21 títulos conquistados em nove décadas de história, e a vitória almejada este ano - chamaram atenção pela beleza plástica. A maior delas, de 14 metros de envergadura, grunhiu alto, convocando o público.

Apesar de o prefeito do Rio, Eduardo Paes, declarar-se portelense, e

de o tema ser carioca e atual (a Rio Branco passa no momento por mais

transformações", a escola afirma que não teve patrocínio do município, segundo

Louzada. "Invocamos (o compositor) Candeia e todas as raízes negras da

Portela, como um pedido de axé para essa nova fase, que é de

renascimento", explicou o carnavalesco.

O momento é de otimismo na escola, que vem de uma década afundada em dívidas (num total de quase R$ 7 milhões, com fornecedores e órgãos públicos e trabalhistas)

e sob uma gestão tida como fraudulenta. O novo presidente, Sergio Procópio, é compositor e tem o apoio dos portelense históricos. "Estamos num recomeço. Quando a escola se volta para si mesma, constrói algo com mais verdade", disse Paulinho da Viola. "Antes não tinha amor (pela Portela), e sem amor nada vai pra frente. A Portela se encontrou", garantiu Monarco, um dos maiores ícones da escola.