Pré-sal? Será que isso é de comer?

Não só na praia e na rocha: tem sal também nas profundezas

Michelle Alves de Lima, O Estado de S.Paulo

11 Setembro 2008 | 03h00

Agradecemos, em primeiro lugar, ao especialista Giuseppe Bacoccoli. Nesta época em que o assunto é só petróleo, ele respondeu a perguntas feitas pelo Paladar sem praticamente mencionar o ouro negro. É que recorremos ao geólogo, hoje professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro e com 35 anos de trabalho na Petrobrás, para falar sobre a primeira coisa que ocorreu à equipe do caderno quando as notícias chegaram: o sal das profundezas oceânicas, que vai acima da chamada camada pré-sal, é bom? Estamos falando de pré-sal, pós-sal... Já que se trata de sal, ele pode ser consumido? Sim, é um sal comum. Aquela área chega a ter 2 mil metros de sal, e é o mesmo sal que você usa no churrasco. Eu provei uma vez uma amostra retirada no Espírito Santo. É nosso conhecido sal. Ele vem em blocos maciços que, se você quiser usar, precisa moer. Como se formou a camada de sal? Quando a América do Sul e a África, que eram um continente só, começaram a se separar, foram abertas fraturas. Nelas, criou-se uma série de lagos. Mas com a continuidade do afastamento, tudo se tornou um grande golfo. Ficou esse mar fechado, que devia ter clima quente e árido. Devido à evaporação intensa, começou a se precipitar sal. Todas as áreas sedimentárias da costa do Brasil e da África têm a sedimentação lacustre, sedimentos marinhos e sal. Assim surgiu essa espessa camada, que vai da bacia de Santos ao Nordeste brasileiro. Ela é impermeável e isso segura o petróleo. Para chegar ao pré-sal tem que atravessar a água do mar, o sedimento pós-sal e a camada de sal. E isso vai chegar à nossa mesa? No Brasil, sal marinho é muito barato. Se não fosse assim, a gente poderia fazer como nos EUA, extrair dessa camada e produzir sal de cozinha. Mas os poços perfurados são caros, então a exploração nessas condições é difícil. Um dia, quem sabe, talvez seja viável explorar esse sal.

Mais conteúdo sobre:
pré-sal

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.