Premiê australiana põe liderança partidária em votação
A primeira-ministra australiana, Julia Gillard, desafiou o ex-premiê Kevin Rudd, seu rival, a tentar tomar-lhe a liderança do Partido Trabalhista numa votação convocada na quinta-feira, com o objetivo de acabar com uma disputa interna que ameaça solapar o governo minoritário dela e sua pauta reformista.
Gillard aposta que uma vitória na votação de segunda-feira, da qual participam os parlamentares do partido, irá silenciar Rudd, a quem ela acusa de tentar desestabilizar seu governo e recuperar o cargo de primeiro-ministro, que ele ocupou entre 2007 e 2010.
A rivalidade entre os dois políticos fermenta desde que ela a substituiu na chefia do governo, em um golpe interno na calada da noite. A crise se escancarou na quarta-feira, quando Rudd renunciou ao cargo de chanceler durante uma viagem a Washington, alegando não ter mais condições de trabalhar com Gillard, e dizendo que ela não terá condições de vencer a próxima eleição, prevista para o ano que vem.
"Depois da renúncia de Kevin Rudd ontem, formei essa opinião de que precisamos de uma votação para a liderança, a fim de solucionar essa questão de uma vez por todas", disse Gillard a jornalistas, mantendo a compostura e tentando se contrapor ao jeito "caótico" de Rudd.
"Por um tempo longo demais, estamos brigando dentro do Partido Trabalhista. Os australianos estão, com razão, fartos disso, e querem um fim para isso", afirmou ela.
Analistas dizem, no entanto, que a votação partidária não salvará o partido de uma derrota nas urnas. "O trabalhismo vai perder a próxima eleição. O atual governo não consegue sair da estagnação, e isso deve se arrastar pelo resto do ano", disse Peter Chen, da Universidade de Sydney.
"Se o trabalhismo mudar para Kevin Rudd, eles vão descobrir que o apoio a ele é muito mais tênue do que as pessoas acham", disse Chen, acrescentando que, se Rudd perder a votação, vai continuar sendo uma figura que causa divisões no governo.
As pesquisas mostram que Rudd é mais popular que Gillard junto ao eleitorado, mas ela é mais apreciada pela bancada parlamentar do partido.
Rudd, que ainda não anunciou oficialmente sua intenção de disputar a liderança partidária, estava voltando à Austrália após a repentina renúncia em meio a uma viagem oficial aos EUA.
"Estou muito satisfeito e encorajado pela quantidade de apoio positivo e encorajamento para que eu dispute a liderança do Partido Trabalhista", disse ele em uma entrevista coletiva antes de embarcar.
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