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Premiê chinês acusa Dalai Lama de incitar violência no Tibete

Wen Jiabao disse que alegação de 'genocídio cultural' é mentira.

18 de março de 2008 | 3h 05

O primeiro-ministro da China, Wen Jiabao, acusou nesta terça-feira o Dalai Lama de incitar a atual onda de violência que tomou conta do Tibete desde o último dia 10, quando se iniciaram os protestos de tibetanos contra o domínio chinês.

Em uma coletiva de imprensa, Wen disse ainda que a alegação do líder espiritual tibetano - que vive no exílio na Índia - de que as autoridades chinesas cometeram um "genocídio cultural" no Tibete "não passa de mentira".

"Há ampla evidência provando que esse incidente foi organizado, premeditado, arquitetado e incitado pelo bando do Dalai", disse Wen. "Isso tudo revelou que as alegações do bando do Dalai de que eles buscam não a independência, mas sim o diálogo pacífico, não passam de mentiras."

Os comentários foram os primeiros de Wen desde o início da onda de violência. Ele disse ainda que a resposta do governo chinês aos protestos foi moderada, de acordo com a lei.

Segundo o governo chinês, 13 pessoas foram mortas por manifestantes em Lhasa, a capital do Tibete.

No entanto, tibetanos que vivem no exílio disseram que pelo menos 80 manifestantes foram mortos pelas forças de segurança chinesas durante a repressão aos protestos.

Wen acusou também os manifestantes de tentar sabotar os Jogos Olímpicos de Pequim, que começam no dia 8 de agosto.

Nesta segunda-feira, ministros dos Esportes e representantes dos comitês olímpicos de países europeus descartaram a possibilidade de boicotar a Olimpíada de Pequim por causa da repressão aos recentes protestos no Tibete.

Protestos

Os protestos começaram como uma reação à notícia de que monges budistas teriam sido presos depois de realizar uma passeata para marcar os 49 anos de um levante tibetano contra o domínio chinês e já são considerados os maiores e mais violentos dos últimos 20 anos.

O Dalai Lama - que ganhou o prêmio Nobel da Paz em 1989 por sua oposição ao uso de violência na busca pela autonomia do Tibete - já apelou várias vezes pelo diálogo com a China.

Nesta segunda-feira, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse estar preocupado com a violência no Tibete e pediu que a China seja tolerante com os manifestantes.

"Neste momento, faço um apelo às autoridades para que mostrem comedimento e peço a todos os envolvidos que evitem mais confrontos e violência", disse Ban.

Os protestos entraram em sua segunda semana e se espalharam para províncias próximas da região do Himalaia, como Gansu, Qinghai e Sichuan.

Em Lhasa, é grande o número de policiais nas ruas. Às 13h desta segunda-feira (horário de Brasília), venceu um prazo do governo chinês para que os manifestantes se entregassem à polícia ou ficassem sujeitos a punições.

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