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Presidente da Ucrânia acusa soldados russos de apoiarem ofensiva rebelde

RICHARD BALMFORTH E PAVEL POLITYUK - REUTERS

28 Agosto 2014 | 20h 09

O presidente da Ucrânia afirmou nesta quinta-feira que tropas russas entraram em seu país para apoiar os rebeldes pró-Moscou que capturaram uma cidade costeira crucial, intensificando de maneira acentuada a guerra separatista de cinco meses.

Petro Poroshenko declarou ao seu conselho de segurança que a situação está "extraordinariamente difícil... mas controlável" depois que os rebeldes, auxiliados pelos russos, tomaram a cidade de Novoazovsk, no sudeste ucraniano.

Mais cedo, Poroshenko disse ter cancelado uma visita à Turquia por causa da “rápida deterioração da situação” na região de Donetsk, no leste ucraniano, “já que as tropas russas foram efetivamente trazidas para a Ucrânia".

O Ministério da Defesa da Rússia voltou a negar a presença dos seus soldados no país vizinho, usando uma linguagem com ressonâncias da Guerra Fria.

“Notamos o lançamento desta 'mentira' e somos obrigados a decepcionar seus autores no exterior e seus poucos defensores na Rússia”, disse o major-general Igor Konashenkov, que atua no ministério, à agência de notícias Interfax. “A informação contida neste material não tem relação com a realidade.”

Mas governos ocidentais céticos parecem estar perdendo a paciência com as negativas de Moscou.

Referindo-se às conversas que o presidente russo, Vladimir Putin, teve com Poroshenko dois dias atrás, o primeiro-ministro britânico, David Cameron, disse: “Não basta se envolver em conversas em Minsk (em Belarus), enquanto tanques russos continuam a entrar na Ucrânia pela fronteira. Tal atividade deve cessar imediatamente.”

Uma autoridade do alto escalão da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) declarou que a Rússia intensificou significativamente sua "interferência militar" na Ucrânia nas duas últimas semanas.

PRÓXIMO OBJETIVO

Durante esta semana, os avanços rebeldes abriram uma nova frente no conflito no momento em que o Exército ucraniano parecia ter assumido o controle dos combates, virtualmente cercando os separatistas em seus redutos nas cidades de Donetsk e Luhansk.

Mais cedo, o conselho de segurança ucraniano declarou que Novoazovsk e outras partes do sudeste do país foram ocupados por forças russas e que as forças do governo estavam se retirando “para salvar suas vidas” e indo reforçar as defesas no porto de Mariupol, mais a oeste, que um líder rebelde disse ser o próximo objetivo dos separatistas.

Apesar das negativas de Moscou, Ella Polyakova, conselheira de direitos humanos de Putin, declarou à Reuters que acredita que a Rússia está levando a cabo uma invasão da Ucrânia.

No sul da Rússia, um repórter da Reuters viu nesta quinta-feira uma coluna de veículos blindados e soldados cobertos de poeira a cerca de três quilômetros da fronteira com a parte da Ucrânia que Kiev diz estar ocupada por tropas russas.

A coluna seguia para o leste, afastando-se da divisa, por um campo aberto perto do vilarejo de Krasnodarovka, na região russa de Rostov.

(Reportagem adicional de Maria Tsvetkova, Anton Zverev, Gabriela Baczynska, Vladimir Soldatkin e Thomas Grove, Adrian Croft, Lina Kushch, Andreas Rinke e Alessandra Prentice)