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Programa Balde Cheio traz lucro para o leite

Niza Souza e Fernanda Yoneya - O Estado de S.Paulo

01 Outubro 2008 | 02h 11

Pequenos pecuaristas assistidos pelo projeto quase deixaram a atividade. Agora, querem até aumentar o rebanho

Um trabalho que está completando dez anos prova que é possível produzir, com lucro, leite em pequenas propriedades, garantindo a fixação do pecuarista no campo. O projeto Balde Cheio, da Embrapa Pecuária Sudeste, que já alcançou 2 mil propriedades rurais em 350 municípios de 10 Estados, já capacitou 50 técnicos e tem mais 500 em capacitação. "Todas as propriedades que continuaram no projeto tiveram sucesso", diz o coordenador do Balde Cheio, o pesquisador da Embrapa Artur Chinelato de Camargo.   Veja também: Ter planilha de custo é regra básica Conforme Camargo, entre 60% e 70% das propriedades têm no máximo 20 hectares, ou seja, são pequenos produtores. "Pelo menos 70% deles já tinham decidido deixar o campo. Com o projeto, continuaram na atividade." O primeiro foco do Balde Cheio não são os animais, nem a propriedade, mas o produtor. "Nosso objetivo primordial é recuperar a sua auto-estima, reduzir o êxodo rural e, conseqüentemente, aumentar a produtividade." Não é uma missão fácil, pois "o produtor deve querer mudar". O principal argumento para isso é a visita às propriedades chamadas "salas de aula". Há uma em cada município participante. "Quando o produtor vê alguém que já esteve na mesma situação, ou até pior, e conseguiu reverter, ele percebe que também pode." Propriedade exemplar Em Jacareí fica uma das menores propriedades do projeto, com 1,5 hectare. O sítio, que produzia apenas 30 litros de leite por dia, rende hoje 200 litros/leite/dia. "Dá uma média de 60 mil litros por hectare/ano, ou 4 vezes mais que os melhores produtores de países desenvolvidos", diz Camargo. O pesquisador identificou também o principal motivo da baixa produtividade: a má alimentação do gado. "Muitos produtores desconhecem o que é bom para as vacas. Com o projeto, a maioria já tem até irrigação para aumentar a produção do pasto e a lotação dos animais." Mas ele lembra: "Não há uma receita que sirva para todos os produtores, em todas as regiões". É justamente este um dos entraves do projeto: a escassez de técnicos regionais para transferir a tecnologia. "É um processo lento e individual; cada produtor tem uma realidade." A missão da Embrapa é capacitar os técnicos de casas de agricultura, sindicatos rurais, empresas de extensão rural ou qualquer entidade interessada. São esses técnicos que dão assistência aos produtores, por meio de cursos, dias de campo e visitas às "salas de aula". "A extensão é o elo entre a pesquisa e o produtor." Extensão rural A implementação do projeto Balde Cheio dura quatro anos. Depois, é fundamental que a extensão rural assuma o trabalho. Para isso, em São Paulo, a Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati) criou, em 2000, o Cati Leite. "Até o ano passado, o foco era a capacitação dos técnicos. A partir de agora, o objetivo é o desenvolvimento dos produtores, sobretudo dos pequenos, pois a média dos rebanhos é de 12 animais", diz a coordenadora de Planejamento do programa, Marianne de Oliveira Silva. Das 40 regionais agrícolas da Cati, 32 participam do projeto. "Hoje, o Cati Leite envolve 490 propriedades e 375 técnicos. A meta, para este ano, é atingir 600 propriedades." Para participar, o produtor deve procurar a casa de agricultura do município, que cadastra o interessado. Depois, é assinado um termo de compromisso, que garante a visita do técnico à propriedade e define os direitos e deveres do produtor. "Faz-se um levantamento planialtimétrico da propriedade, que dá a visão espacial global da área. Isso serve, por exemplo, para saber onde é melhor instalar os piquetes." O próximo passo é fazer análise de solo para saber a qualidade do solo. Um terceiro passo refere-se à sanidade do gado, com a realização de exames de tuberculose e brucelose. "A partir daí, o produtor pode começar a planejar a propriedade." Marianne diz que a primeira coisa que os produtores querem fazer é trocar os animais, o que é um erro. "Para produzir leite não precisa mudar o gado. Costumo dizer que a genética é o último passo, é o teto da casa. O chão é a comida." Portanto, o mais importante é garantir alimento ao gado, porque com o gado passando fome não é possível saber o potencial do animal. "Tem que começar melhorando o que já existe na propriedade, como as condições do pasto, para depois mudar a gramínea. Depois, faz-se um piquete. É uma coisa por vez", diz Marianne. R$ 0,30 por litro de leite é o custo de produção do projeto, ante R$ 0,60/litro normalmente gastos 10 mil litros de leite/hectare/ano é a produtividade na região de Franca (SP), ante 1.200 l/ha/ano produzidos fora do projeto 10 cabeças por hectare é a média de lotação nas propriedades que participam do projeto

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