Programa de barista: rodar o leite

Comunidade de barista e simpatizantes se reúne para um campeonato de latte art

Luiz Henrique Ligabue,

07 Agosto 2009 | 19h55

 Competidores observam os cafés finalistas                                Fotos de Clayton de Souza/AE Programa de índio? Nada. De barista! Quinta-feira (30/7), 21h, frio, garoa e muita animação no número 198 da rua Renato Paes de Barros, no Itaim. O ambiente moderno e charmoso do Café Suplicy começava a se transformar. Nas mesinhas laterais, logo na entrada da loja, uma turma de jovens na faixa dos vinte e poucos anos, todos de Heineken na mão, entrava no clima de "esquenta". Marco Suplicy, expert em cafés e proprietário da rede, também estava lá, com mulher, filho, cachorro e cerveja comandando a "bagunça". Bagunça? Sim. Toda última quinta-feira do mês, em uma das unidades da rede de cafés, a comunidade de baristas e simpatizantes se reúne para a "Thursday Night Throwdown" – um campeonato livre de latte art, a ciência de fazer desenhos de espuma de leite em xícaras de café. A ideia nasceu em uma cafeteria de Atlanta, nos EUA, e Marco importou o evento. O campeonato de latte art é simples e tem poucas regras. Qualquer um pode participar, basta pagar a taxa (R$ 10) e esperar a formação das chaves. Enquanto isso, o som ambiente da cafeteria vai aumentando e ganhando "ares eletrônicos": uma televisão é instalada para mostrar o resultado da latte art para o público, e os clientes vão minguando. Enquanto isso os baristas e simpatizantes (turma formada por jovens, a maioria baristas de outras redes da capital, além de recém-formados) já enturmados começam outro aquecimento. "Mari, vem rodar um leite!", diz um dos competidores a uma colega para trás do balcão. Os primeiros desenhos, ainda fora da competição, começam a aparecer. Sem a "pressão" da prova, alguns deles ensaiam formas mais complexas. Na hora do vamos ver, no início a maioria prefere buscar a perfeição do trivial coração, o desenho básico da art latte. Rosetas e tulipas são outras possibilidades, mais complexas. Os bons mesmo buscam por tulipas de quatro, cinco petalas ou mais. Um barista é designado para extrair os cafés da disputa. Esse não compete, só fornece a matéria-prima aos colegas. Os dois expressos saem sempre da mesma extração. Os competidores, sempre em dupla, "rodam o leite" – espumam o leite em uma das saídas de ar da máquina – e fazem a sua arte. Três jurados se reúnem e apontam a melhor criação da rodada. Detalhe: os desenhos são feitos na munheca. Não vale recorrer à ajuda de palitinhos e outros apetrechos. A competição segue no mata-mata até a final. Os jurados por sua vez devem apontar juntos o melhor desenho da rodada. A outra mão pode ser usada para segurar a Heinecken. Os principais critérios de avaliação são simetria, definição, contraste e complexidade da forma.                              E assim,  depois muitas cervejas (tomadas) e cafés (ralo abaixo) – esse é um concurso estético e não de prova –, chegamos à grande final. A essa altura, 22h30, a moçada bem animada se amontoa em torno do balcão e em volta da TV para ver o que os finalistas, Yara Castanho e Bruno Silva, ambos baristas da casa, vão apresentar. Os jurados saem de perto para não se influenciarem pela fama dos competidores – Yara é a campeã brasileira. Cafés tirados, leites rodados, barista em ação e no balcão estão uma tulipa simples e outra com 5 fases. Os jurados chegam. Observam por uns alguns minutos, alguns palpiteiros buzinan nas orelhas dos jurados e Marco decreta: "Agora". Dois deles apontam para uma xícara, outro aponta para a outra. A tulipa de cinco petalas leva. Bruno, o barista-jardineiro, raspa o tacho das inscrições, que com algumas doações soma R$ 340. O rapaz leva as notas à boca e avisa que a balada está apenas começando...   A Tulipa de cinco pétalas do barista-jardineiro Bruno Silva

Mais conteúdo sobre:
Caf&eacute latte art

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.