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Promotoria quer pena de morte para ex-presidente egípcio Mubarak

05 de janeiro de 2012 | 16h 10
YASMINE SALEH - REUTERS

Promotores egípcios exigiram pena de morte para o ex-presidente Hosni Mubarak e outros réus, incluindo o ex-ministro do Interior, por sua participação no assassinato de manifestantes no levante que o derrubou do poder numa das revoluções da Primavera Árabe.

Muitos egípcios esperam que o julgamento cure algumas das cicatrizes do governo autocrático de Mubarak e ajude o país a encontrar estabilidade depois de quase um ano de agitação política, enquanto o país é governado por generais que o substituíram no poder.

Mas a multidão de testemunhas, a complexidade de acusações e a dificuldade da acusação em obter provas dos serviços de segurança podem facilitar o trabalho dos advogados de defesa de obter uma sentença mais leve para Mubarak e os outros réus.

Na última das três audiências realizadas nesta semana, Mubarak apareceu no tribunal em uma cela reservada para ele junto com seus filhos, o ex-ministro do Interior Habib el-Adly e seis autoridades policiais.

"A promotoria exige a pena máxima para Mubarak e o resto dos acusados, que é a de morte por enforcamento", disse Mustafa Khater, membro da equipe de promotores, no tribunal.

"O assassinato de uma pessoa pede a pena de morte, então o que diria o tribunal em um caso em que centenas foram mortos".

O discurso de Khater foi recebido com aplausos e vivas de alguns advogados, que gritaram: "Morte, morte... Deus é grande".

Mubarak, que governou por três décadas antes de ser obrigado a renunciar em 11 de fevereiro, depois de 18 dias de protestos públicos contra seu regime, é o primeiro líder derrubado na onda de protestos no mundo árabe a enfrentar julgamento.

O ex-presidente de 83 anos e os outros réus negam responsabilidade pelas mortes.

O promotor-chefe, Mustafa Suleiman, disse ao tribunal que, mesmo se Mubarak não ordenou diretamente o assassinato dos manifestantes, ele fracassou em sua responsabilidade constitucional de proteger o povo.

A acusação também disse que depoimentos de testemunhas, inclusive de Omar Suleiman, que foi nomeado vice-presidente durante os protestos, indicavam que "agentes da polícia tinham que se reportar ao presidente do Estado nas decisões que incluíam os manifestantes".

"E muitas destas testemunhas garantiram à acusação que nenhum policial pode disparar a menos que receba ordens de seu chefe", disse Suleiman.

Mohamed El Gendi, um advogado de Adly, disse que a acusação não conseguiu fornecer provas conclusivas.

"A promotoria baseou suas conclusões e narrou contos que não provam de maneira firme que a pessoa acusada cometeu os crimes", disse.

Além das acusações relacionadas à morte dos manifestantes, Mubarak e os outros réus enfrentam acusações de corrupção, abuso de poder e desperdício de fundos públicos. O juiz suspendeu o julgamento até 9 e 10 de janeiro, quando os advogados farão suas declarações finais.

(Reportagem adicional de Omar Fahmy)


Tópicos: EGITO, MUBARAK, ATUALIZA*