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Protesto contra nova tarifa no Rio se dispersa

FÁBIO GRELLET - Agência Estado

10 Fevereiro 2014 | 22h 48

Os cerca de 500 manifestantes que participavam do protesto contra o aumento das passagens de ônibus no Rio de Janeiro na noite desta segunda-feira, 10, se dispersaram por volta das 22h, quando quase 150 pessoas retornaram à Central do Brasil. Durante as quatro horas de caminhada pelo centro da capital fluminense, policiais revistaram mochilas de manifestantes mascarados, mas não encontraram artefatos explosivos. Uma pessoa foi detida, porque não quis tirar uma máscara de gás, mas não chegou a ir à delegacia. Foi liberada após decidir atender à ordem policial. A TV Globo foi hostilizada, como já era comum desde os protestos de junho.

O ato começou às 18h, cerca de seis horas após a confirmação da morte cerebral de Santiago Andrade, cinegrafista da TV Bandeirantes ferido por um rojão durante um protesto na última quinta-feira, 6. Desta vez, porém, não houve confrontos entre ativistas e policiais e ninguém se feriu.

Os participantes do protesto se reuniram na mesma praça onde Andrade foi atingido, em frente ao Comando Militar do Leste e ao lado da estação ferroviária Central do Brasil. Em meio a dezenas de policiais da Polícia Militar (PM), um grupo, então com aproximadamente 200 pessoas, decidiu caminhar rumo à sede da Fetranspor, a entidade que reúne os donos das empresas de ônibus que fazem o transporte municipal no Rio.

O aumento da passagem, de R$ 2,75 para R$ 3,00, em vigor desde o último sábado, 08, era a razão do protesto. O grupo seguiu pela Avenida Presidente Vargas até a Avenida Rio Branco, sempre escoltado pela polícia e, embora tenham ocorridos provocações, não houve nenhum incidente. Antes de chegar à sede da Fetranspor, o grupo, que então já contava aproximadamente 500 pessoas, parou em frente à Assembleia Legislativa do Rio, onde um cordão de policiais estava postado. Após algumas provocações e gritos de guerra contra a PM, o grupo seguiu até a sede da entidade, onde incendiou uma catraca de ônibus, levada pelos próprios manifestantes.

"Tem que protestar. Só assim vamos mudar algo. A imprensa falou sobre o cinegrafista, mas não mostrou o ambulante que morreu atropelado no mesmo protesto de quinta passada", reclamou o ambulante José Roberto, que não quis informar o sobrenome e se identificou como "black bloc". Cobrindo o rosto com uma máscara preta, ele ajudou a incendiar a roleta. O ambulante a que o ativista se referia foi atropelado por um ônibus durante o ato anterior, na frente da Central do Brasil, e morreu após receber socorro.

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