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Protesto na Ucrânia reúne 100 mil e tem confronto com a polícia

Agência Estado

19 Janeiro 2014 | 12h 46

Manifestantes se reuniram na capital Kiev neste domingo, desafiando as leis que proíbem protestos antigoverno

Mais de 100 mil pessoas participaram neste domingo, 19, de um enorme protesto nas ruas de Kiev, capital da Ucrânia, desafiando novas regras aprovadas pelo governo do presidente Viktor Yanukovych, que visam impedir as demonstrações dos manifestantes. Muitos usavam panelas na cabeça e máscaras, em uma clara afronta à proibição de encobrir o rosto. Parte dos manifestantes entrou em confronto com a polícia, atacando-os com paus e tentando derrubar um ônibus policial para bloquear a estrada principal que conduz ao parlamento.

 

Na sexta-feira, Yanukovych promulgou uma nova legislação que proíbe virtualmente todas as formas de protesto, em um movimento classificado pela oposição de "golpe" e criticado por potências ocidentais como antidemocrático. As manifestações contra o presidente começaram no fim do ano passado, quando ele encerrou negociações para uma aproximação com a União Europeia e estreitou os laços com a Rússia.

O protesto deste domingo foi convocado por três partidos de oposição, que também pretendem organizar uma greve geral. Manifestantes montaram barricadas nas ruas com arame farpado e dizem que a hora de agir é agora ou nunca. "Hoje eu espero ações decisivas e drásticas da nossa oposição. Não podemos esperar mais, ou vencemos ou o país cairá em uma ditadura", comentou Sergiy Nelipovych, um carpinteiro da cidade de Lutsk.

As novas leis permitem a prisão por até cinco anos de quem bloquear prédios públicos e a detenção de quem usar máscaras ou capacetes. Outras regras proíbem a propagação de "difamações" pela internet e apertam o cerco contra organizações não governamentais que recebem apoio de entidades estrangeiras.

Em um sinal das crescentes tensões no país, o presidente Yanukovych demitiu nesta sexta-feira seu chefe de gabinete, Sergiy Lyovochkin, e não vai participar do Fórum Econômico Mundial, em Davos.

(Com informações das agências Associated Press e Reuters)