Provamos a Jacobsen Vintage, a mais cara do mundo. Vale quanto custa?

A descrição é tentadora: uma cerveja com 10,5% de teor alcoólico, feita com três tipos de malte e quatro de lúpulo, que amadurece seis meses em barris de carvalho franceses ou suecos, da qual foram produzidas apenas 600 garrafas. Mas, como o diabo mora nos detalhes, há um porém: o preço. Criada para ser a cerveja mais cara do mundo, a Jacobsen Vintage Nº 1, uma barley wine da Dinamarca produzida pela cervejaria homônima (ligada à Carlsberg) custa US$ 400, cerca de R$ 650 (ou 2008 coroas dinamarquesas: o preço segue o ano de fabricação. A idéia é elevar uma coroa a cada ano). É inevitável perguntar: ''Vale quanto custa?'' Há alguns dias, pude tirar a prova, graças ao apreciador de cervejas Cláudio Zastrow, que arrematou um exemplar da versão sueca. Diante do ineditismo do fato, a degustação atraiu outros interessados, o que forçou o grupo a uma degustação ''econômica''. Um gole, porém, já dá idéia da qualidade da cerveja. De cor castanho-escura, avermelhada, ela tem espuma bege clara, não muito duradoura. O aroma é licoroso, frutado, com caramelo e um quê de madeira, além de álcool bem perceptível. Na boca, ela mostra seu melhor. O licoroso do aroma é intenso, lembra um vinho do Porto, com notas amadeiradas, frutadas e uma sensação de defumado, além do final seco e de malte. O álcool torna a cerveja ''quente'' o que a deixa bastante encorpada. E então, vale ou não? Trata-se de uma cerveja muito boa. Mas, ao contrário do preço ''único'', sua qualidade se equipara à de outras produções de alto nível, com valores menores. Pesam a favor dela, o fato de que há vinhos mais caros no mercado. E ela deve tornar-se mais rara, pois pode ser envelhecida por dez anos. É aí que está a chave do valor da Jacobsen.

Roberto Fonseca, O Estado de S.Paulo

05 Junho 2008 | 03h26

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