Queda nos preços abala fabricantes de TVs de tela plana

Fabricantes de televisores com telas estreitas e planas normalmente travam grandes debates sobre qual tecnologia de geração de imagem é melhor, mas atualmente eles vivem um raro momento em que concordam com uma coisa: erosão de preço dos produtos chegou para ficar e um abalo na indústria mundial será inevitável. "Há tantos fabricantes no mercado. Mas quantos sobreviverão?", pergunta Dong Jin Oh, presidente-executivo da unidade norte-americana da Samsung Electronics, durante a feira de tecnologia Consumer Electronics Show (CES). "A demanda está crescendo muito rápido nos Estados Unidos, mas a queda de preços é tão gritante, tão grande que (um abalo na indústria) é inevitável." Fabricantes de produtos eletrônicos de consumo ao redor do mundo tinham grandes expectativas de que a nova onda dos televisores estreitos e que podem ser fixados em paredes seriam um novo motivador de lucros, mas o mercado de US$ 84 bilhões tem sido afetado por incessante queda de preços, tornando os lucros cada vez menores para muitas empresas. Isso poderá mudar se algumas companhias abandonarem o segmento, mas uma grande erosão de preços ainda é esperada em 2007. A demanda global por televisores de tela de cristal líquido (LCD) e de plasma deve subir 52% este ano em termos unitários, conforme os consumidores correm para trocar modelos volumosos, baseados em tubos de imagem, por TVs estreitas e com telas enormes, afirma a empresa de pesquisa DisplaySearch. Mas em termos de receitas, o crescimento mundial no setor deverá ser de somente 22%. No Japão, o mercado de TVs planas deve começar a encolher em relação a este ano, em termos de faturamento. No lado dos fornecedores, uma joint-venture entre a sul-coreana Samsung e a japonesa Sony deve abrir nova fábrica de painéis LCD este ano e a Matsushita Electric Industrial, que produz aparelhos da marca Panasonic, espera iniciar a operação de sua mais recente unidade de produção de telas de plasma até meados do ano, pressionando ainda mais os preços dos televisores que receberão esses componentes. A Matsushita é a maior fabricante mundial de TVs de plasma. "Acredito que somente algumas empresas poderão sobreviver e se tornarem fabricantes importantes", disse Michael Ahn, diretor das operações da sul-coreana LG Electronics nos Estados Unidos. "Como temos painéis de plasma e LCD disponíveis internamente, isso nos torna mais competitivos e flexíveis." A LG era a terceira maior fabricante do mundo de TVs de plasma entre julho e setembro do ano passado. No mercado de TVs LCD a empresa ocupava a quinta posição. Problemas Crescentes Enquanto isso, grupos menores como a Pioneer não estão bem posicionados como as rivais de maior porte. A Pioneer, a sexta maior fabricante de TVs de plasma do mundo, disse à Reuters durante a CES que, por causa dos preços decrescentes, fica cada vez mais provável a empresa não conseguir atingir meta de obter alta de 20% na receita com TVs de plasma na América do Norte nos seis meses que se encerrarão em março. "Estamos reduzindo custos de produção com base em uma queda de preços da ordem de 20 a 25% ao ano. Uma queda de 45% é um pouco alta para compensarmos", disse o presidente-executivo da Pioneer North America, Tom Haga. Cortar sua própria produção de painéis de plasma e recorrer a modelos fornecidos por terceiros é uma opção, disse o executivo. A Hitachi também está em foco. Situada na quinta posição mundial no mercado de plasma, a empresa informou em novembro que pode abandonar os negócios nessa área se continuar a perder dinheiro. No lado LCD, a fabricante de painéis LG.Philips LCD está preparada para perder um dos dois sócios da joint-venture uma vez que a Philips estuda vender sua participação. A japonesa Sharp e a Matsushita foram consideradas por observadores da indústria como possíveis compradoras da participação da Philips, mas muitos analistas continuam céticos sobre essa possibilidade. O presidente da japonesa Casio Computer, Kazuo Kashio, disse que todas as indústrias passam por uma fase de hipercompetição antes de atingirem momento de estabilidade de negócios, e a indústria de TVs planas não é uma exceção. "Sempre há um estágio, onde cada participante tem que lutar uma batalha sangrenta sem fazer dinheiro. O lucro virá somente para aqueles que sobreviverem", afirmou Kashio, que fundou a Casio há meio século.

Agencia Estado,

12 Janeiro 2007 | 10h25

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.