Quem gosta de vinhos velhos?

Um brinde com Maria Jõao de Almeida

O Estado de S.Paulo

18 Novembro 2010 | 02h48

Após décadas de esquecimento e abandono, o Dão ressurgiu nos últimos anos, sobressaindo-se através da produção de vinhos bancos e tintos de grande qualidade e elegância, com enorme capacidade de envelhecimento.

Hoje, quando se abre uma garrafa dessa região, algumas com mais de 40 anos, pode-se comprovar bem essa longevidade. Alguns brancos da casta Encruzado que provei há tempos, produzidos pelo Centro de Estudos Vitivinícolas do Dão, de 1959, 1964, 1974, 1980 e 1992, estavam em excelente estado de conservação. Das relíquias em prova, aquela que mais se destacou foi o branco de 1964. De cor palha acentuada, apresentou aroma intenso de resina e ainda frutos secos e algum floral. Cheio e amanteigado no paladar, com uma acidez presente e muitíssimo equilibrada, esse branco teve uma evolução surpreendente e rara. Não menos fantásticos estavam alguns tintos velhos provados recentemente numa prova entre amigos.

A Jaen, Touriga Nacional e a Alfrocheiro são as castas que mais se destacam no Dão. A Touriga, também ela com grande potencial de envelhecimento, sobressai-se por ser hoje a casta rainha portuguesa e também a mais admirada fora de Portugal, começando a ocupar cada vez mais espaço no Velho e no Novo Mundo.

Voltando à prova dos tintos, certamente elaborados com as referidas castas e outras tantas à mistura (como era usual no passado), o grande vencedor foi o Porta de Cavaleiros Reserva Seleccionada 1963, das Caves São João (que compravam o vinho no Dão e o engarrafavam na Bairrada). O tinto revelou estar em grande forma, com boa intensidade na cor, limpeza no aroma e no paladar, com vestígios de notas vegetais e de pólvora próprias da evolução.

Outros tantos, como o Grão Vasco Garrafeira 1982, o Udaca Reserva 1970 ou o Ferreira Malaquias Reserva 1962, também tiveram o seu momento de glória. Estavam "bem enxutos" para a idade.

Por isso, meus amigos, quem estiver habituado a provar apenas vinhos do Douro ou do Alentejo - regiões portuguesas mais conhecidas e por isso mais procuradas - deve se aventurar e procurar novos desafios nas adegas de amigos ou parentes portugueses...

Já agora vá também à loja de vinhos mais próxima procurar novidades do Dão. Não vai se arrepender.

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