"Quero acabar com o elitismo"

Ricardo Barreto, organizador do File

Lucas Pretti,

04 Agosto 2008 | 00h00

Ao lado de Paula Perissinotto, o artista Ricardo Barreto fez São Paulo referência em arte eletrônica. Muito por causa dele, a Petrobrás abriu edital em julho para distribuir R$ 80 milhões a projetos de cultura digital. A importância do File, para ele, é essa: política. O File está cada dia mais externo, com instalações espalhadas pela cidade. A tecnologia pede isso? Não é só a tecnologia. Tudo está interligado no mundo de hoje – artes, tecnologia, economia, psicologia. Nós queremos ir até as pessoas, não adianta colocar tudo em um lugar só e adotar a postura elitista das artes visuais, aquela coisa de galerista, críticos, essa bajulação toda. O File é importante porque junta as panelinhas típicas de todas as áreas e, da mistura, saem coisas novas. Arte digital precisa ser útil? Não necessariamente. O espaço que criamos é para mostrar ser possível inovar com experimentos artísticos. Afinal, o que une qualquer área do conhecimento é a criatividade, e a lógica capitalista hoje orbita em torno de idéias. O Brasil está inserido nessa lógica? São Paulo, especificamente, é Primeiro Mundo. Mas, em geral, países em desenvolvimento trabalham e consomem as idéias valiosas dos países ricos. Acredito que possamos inverter isso em iniciativas como o File.

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