Reforço de dois anos contará como crédito para cotista

Ideia do programa é deixá-lo em condições parecidas às dos melhores alunos das escolas particulares

O Estado de S.Paulo

19 Dezembro 2012 | 02h02

O curso de reforço para alunos cotistas das universidades estaduais, ao estilo de um college, valerá créditos a serem contabilizados na formação. Dependendo do curso escolhido, o aluno também poderá eliminar disciplinas obrigatórias. A ideia contida na proposta do programa de cotas é de um curso de dois anos para deixar os estudantes beneficiados em condições parecidas às dos melhores alunos das particulares, que dominam a lista de aprovados no vestibular.

Segundo o reitor da USP, João Grandino Rodas, o nivelamento é importante. "É preciso garantir que nem a universidade tenha prejuízo, com possível queda na qualidade dos alunos, nem o estudante que entra encontre dificuldades", diz. Rodas ressaltou que já há problemas entre os atuais alunos, independentemente de onde estudaram. "As dificuldades para acompanhar as aulas não são só de alunos vindos da rede pública, mas da particular também."

O projeto pedagógico do college não foi definido, mas é certo que será semipresencial e gerido pela Universidade Virtual do Estado de São Paulo (Univesp). Falta definir como as vagas serão preenchidas, de acordo com o desempenho no Enem ou no Saresp (exame das escolas estaduais dos ensinos fundamental e médio).

"Não será um curso simplista. É uma possibilidade que dá certeza de que você está na universidade", diz Rodas, lembrando que muitos candidatos ingressam na USP depois de anos de cursinho pré-vestibular.

O college já valerá como curso superior. Ao fim dos dois anos, os alunos receberão um certificado de curso sequencial de complementação de estudos. Poderão participar de concursos públicos que exijam somente formação em nível superior, mas serão impedidos de fazer pós-graduação.

De acordo com o que disse o reitor da Unesp, Julio Cezar Durigan, em novembro ao Estado, 40% dos selecionados pelas cotas farão esse curso preparatório anterior e 60% vão para a universidade diretamente após o vestibular, com a possibilidade de reforço paralelo.

O sistema de college foi inspirado na experiência da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que aprovou no último vestibular 32% de alunos de escola pública - essa proporção na Unesp é de 41%, contra 28% da USP. O Programa de Formação Interdisciplinar Superior (Profis) da Unicamp existe há dois anos. As 120 vagas são preenchidas pelos melhores alunos da rede pública, segundo seu desempenho no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Cada uma das 95 escolas de Campinas tem direito a uma ou duas cadeiras. O Profis também possui duração de dois anos e dá certificado de curso sequencial de complementação de estudos. / P.S.

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