Reitora da PUC-SP diz que não pode 'tolerar' ocupação
A reitora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Maura Bicudo Véras, informou hoje que "lamenta a violência e a ação antidemocrática" na ocupação de ontem da reitoria por estudantes da universidade. "Não se pode tolerar esta atitude e é preciso agir com rigor, dentro da lei, para defender o patrimônio cultural e físico da universidade", disse ela, em nota de repúdio à manifestação.
A reitora ressalta que, ao ocuparem o local, os estudantes teriam derrubado uma parede e agredido seguranças. Uma aluna de jornalismo, que preferiu não se identificar, rebateu a reitora: "Não teve violência contra seguranças, nem empurra-empurra". Porém, a estudante admitiu que realmente eles tiveram que derrubar uma parede. "Era uma daquelas divisórias de escritório. Para entrar, o pessoal chutou e a parede realmente caiu".
A reitora da PUC-SP comentou, ainda na nota, que as reivindicações dos estudantes que chegaram à reitoria não procedem. Os alunos disseram que a universidade não discutiu o chamado "Redesenho Institucional", que prevê uma reestruturação na universidade com o objetivo, segundo a PUC-SP, de dar "novas estruturas que permitam dinâmicas mais ágeis e integradas para a realização de suas atividades-fim". Para os estudantes, esta medida aumenta a centralização das decisões, acaba com a autonomia dos cursos e impõem uma lógica de mercado, que privilegiaria os cursos que geram mais lucro.
Votação
A reitoria agendou a votação para definir este redesenho para o dia 12 de dezembro. Por ser uma data em que a maioria dos estudantes já estará de férias, eles julgam que a reitoria não está dando espaço para uma votação aberta, envolvendo estudantes, professores e funcionários. Os estudantes sustentam ainda que a reitoria teria um novo plano de demissões, cortes de bolsas aos alunos, além de aumento de mensalidade.
A reitora nega todos os pontos e diz que o "Redesenho Institucional" é uma necessidade "apontada pela própria comunidade, e que tem sido discutido de forma democrática e transparente em todas as instâncias". Os estudantes reivindicam que a data para a citação do redesenho seja adiada.
Hoje à noite será realizada uma Assembléia Geral, aberta para todos os cursos, para definir a situação da ocupação e debater o "Redesenho Institucional". Hoje, estudantes de alguns cursos realizaram pequenas discussões onde debateram a ocupação. Os alunos do curso de Direito, do período matutino, se manifestaram contra a invasão da reitoria.
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