Relatório da ONU pede corte 80% na emissão de CO2 até 2050
Organização diz que responsabilidade é dos países ricos e propõe cobrança de taxas por emissões de carbono
O relatório de Desenvolvimento Humano 2007, divulgado nesta terça-feira, 27, pelas Nações Unidas, cobra dos países desenvolvidos as ações para tentar controlar o aquecimento global e propõe, para os próximos 40 anos, metas muito mais duras do que as acertadas no Protocolo do Kyoto. Dos países ricos, a ONU pede uma redução de 80% nas emissões de carbono na atmosfera até o ano de 2050 para que se evite um aumento de mais de 2 graus centígrados na atmosfera terrestre. Aos países em desenvolvimento, pede uma redução de 20% no mesmo prazo. Veja também: Brasil entra para o clube do alto desenvolvimento humano Relatório da ONU defende etanol brasileiro Em artigo, Lula defende 'ação nacional para desafio global' IDH mostra que estamos no caminho certo, diz ministro Para especialista, ranking da ONU adota 'rótulos artificiais' A evolução dos países "A responsabilidade por essa crise é, na sua grande maioria, dos países ricos. O Brasil tem uma emissão per capita de 1 tonelada por pessoa. A Etiópia, cerca de 0,2 tonelada. Os Estados Unidos, 20 toneladas. Se toda a população mundial emitisse o mesmo que um americano, precisaríamos de nove planetas para poluir. Só temos um", disse o coordenador do relatório do IDH, Kevin Watkins. Para controlar as emissões, a ONU propõe cobrar taxas pelas emissões de carbono nos países ricos e intensificar os programas de compra de créditos de carbono - em que um país que excede sua cota pode "comprar" créditos de outro que não alcança a sua -, além de tornar mais rígida a regulamentação para emissão por veículos, construções e equipamentos eletrônicos. A ONU ainda cobra a criação de um fundo em que os países desenvolvidos repassariam US$ 20 bilhões por ano para ajudar países pobres na adaptação às possíveis conseqüências do aquecimento global, como cheias e secas. "Os países ricos investem bilhões de dólares todos os anos em infra-estrutura para se precaver de cheias e outras mudanças climáticas e não fazem quase nada para fortalecer a adaptação dos países pobres. Vão proteger seus próprios cidadãos, enquanto deixam os mais pobres para nadar ou afundar. É eticamente indefensável", acusou Watkins. De acordo com o coordenador, são necessários US$ 86 bilhões até 2015 para fortalecer a defesa dos países mais pobres. "Não é prático que os países que criaram o problema agora virem as costas para as suas vítimas", afirmou.
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