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Relatos de execuções no Rio são desde 1960

LUCIANA NUNES LEAL - Agência Estado

06 Fevereiro 2014 | 20h 29

Os relatos de execuções na Baixada Fluminense começaram na década de 1960, já com a ideia de "justiçamento" que até hoje predomina em cidades como Duque de Caxias, Nova Iguaçu e Belford Roxo. As mortes motivadas por vingança, acerto de contas ou "corretivos" se transformaram em caça a assaltantes da região, com a formação de grupos de extermínio e matadores contratados por comerciantes e empresários para garantir segurança nas áreas, nos anos 1970.

"Já nos fim dos anos 1960, os grupos ganharam o respaldo da Polícia Militar. Em vez de serem contratados pelos comerciantes, passaram a impor o ?serviço? e quem não aceitasse pagar por isso sofria as consequências. Depois, as milícias organizaram-se e passaram a dominar distribuição de água, de gás, venda de terra. Houve uma evolução da organização do crime, sempre na lógica da ?proteção? e o discurso de ?bandido bom e bandido morto?. O argumento é de que se eliminam pessoas que devem ser eliminadas", diz o cientista social José Cláudio Souza Alves, pesquisador e autor do livro Dos Barões ao Extermínio: uma História de Violência na Baixada Fluminense.

Alves sustenta que a certeza de que os crimes não serão esclarecidos é o motor das execuções constantes na Baixada Fluminense. "Uma proporção muito pequena das execuções é investigada. Os assassinatos perpetuam-se e alimentam a lógica de que negros, pobres e sem estudos são os responsáveis pela violência. A polícia é grande operadora dessa mesma lógica e a sociedade persegue esse grupo social."