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Rumo ALL tenta alongar dívida e planeja oferta para levantar R$ 2 bi no mercado

Companhia, resultado da fusão entre Rumo e ALL, está em conversas com os principais bancos credores para mudar o perfil de seu endividamento; ferrovia responsável pelo escoamento de safra de grãos do País foi sondada por fundos soberanos

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Mônica Scaramuzzo,
O Estado de São Paulo

08 Março 2016 | 05h00

A Rumo ALL (ex-América Latina Logística) planeja fazer um aumento de capital para levantar cerca de R$ 2 bilhões, apurou o ‘Estado’. A proposta será por meio de uma oferta pública, que deverá ser anunciada entre o fim de março e início de abril, segundo fontes familiarizadas com o assunto. A empresa também pretende captar R$ 1 bilhão por meio do FI-FGTS, destinado a projetos de infraestrutura.

Antes de ir ao mercado para levantar esses recursos, a companhia – principal responsável pelo escoamento da safra de grãos do País – deverá fazer realongamento de sua dívida. O endividamento líquido da Rumo ALL é de R$ 7,8 bilhões (dados referentes ao quarto trimestre de 2015), dos quais um total de R$ 1,4 bilhão vence neste ano, outros R$ 2,3 bilhões no ano que vem e R$ 2,4 bilhões em 2018. Os maiores credores são bancos comerciais: Bradesco, Itaú, Santander e HSBC (comprado pelo Bradesco no País).

A ferrovia precisa mudar o perfil de sua dívida e levantar capital para tocar seus ambiciosos projetos expansão. O Estado apurou que as negociações envolvendo os bancos já estão em andamento. Após a mudança no perfil da dívida, a proposta de aumento de capital será apresentada ao mercado.

A ALL trocou de mãos no ano passado e passou a ter o grupo Cosan, do empresário Rubens Ometto Silveira Mello, como maior acionista individual da empresa, com 26,3% do negócio. As gestoras TPG (Texas Pacific Group) e Gávea, além do BNDES, também fazem parte do bloco de controle do grupo.

Em meados de janeiro, os membros do conselho de administração do grupo desistiram de fazer aumento de capital na companhia, uma vez que as ações da ferrovia vinham registrando forte queda e as condições macroeconômicas não estavam favoráveis para fazer a captação. 

A decisão de voltar ao mercado deverá acontecer depois de as negociações com os maiores bancos credores estiverem bem encaminhadas.

Se levar adiante o processo de aumento de capital, os atuais acionistas da empresa terão prioridade para fazer as subscrições das ações. A própria Cosan Logística deverá colocar capital na companhia e outros sócios podem ir pelo mesmo caminho.

Fundos de olho. O grupo chegou a ser sondado por fundos de investimentos interessados em ter uma participação na companhia. Foi o caso do fundo soberano de Abu Dabi, o Adia. No entanto, as negociações não avançaram, de acordo com outra fonte de mercado. Há outros fundos de investimentos que estariam interessados em uma fatia da companhia, segundo a mesma fonte.

A Rumo ALL tem um plano de investir de R$ 7 bilhões a R$ 10 bilhões nos próximos anos para promover a expansão da companhia. No entanto, a nova administração tem desafios pela frente, como a renovação da concessão antes de colocar seus planos de expansão em prática. Além disso, tem de fazer corte de custos e melhoria operacionais de sua atual malha ferroviária, que está sucateada.

Fontes familiarizadas com o assunto afirmam que os cortes de custos estão em andamento e a companhia ferroviária já colocou em prática plano para elevar o escoamento de grãos.

A expectativa é de que com o aumento da safra de grãos previsto para este ano, os volumes transportados pela companhia cresçam e melhorem as margens da empresa. 

Chancela. A fusão entre Rumo e ALL foi bem vista no governo, uma vez que a antiga administração da companhia enfrentou nos últimos anos diversos problemas para conseguir honrar os seus contratos. 

Com uma malha ferroviária de cerca de 12 mil quilômetros, a Rumo ALL é responsável por boa parte do escoamento de grãos do Centro-Oeste até o porto de Santos. Procurada, a Cosan não comentou o assunto. 

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