Rússia admite operação militar na Geórgia apesar de trégua
Exército diz ter destruído alvos militares perto de Gori; Para EUA, violação ao cessar-fogo pode isolar Moscou

O governo da Rússia reconheceu nesta quarta-feira, 13, que soldados do país desmontaram e destruíram equipamentos militares encontrados em uma base da Geórgia perto da cidade de Gori, que fica a cerca de 25 quilômetros da região separatista da Ossétia do Sul. Um comunicado divulgado pelas Forças Armadas russas diz que a medida foi tomada para desmilitarizar a região. Veja também: Rússia ficará mais isolada se violar cessar-fogo, diz Rice Rússia diz que derrubou três aviões espiões da Geórgia Ouça o relato de Lourival Sant'Anna Imagens feitas direto de Gori, na Geórgia Godoy e Cristiano Dias comentam conflito Entenda o conflito separatista na Geórgia Cronologia dos conflitos na Geórgia Um comboio de cerca de 60 veículos militares russos foi visto também nesta quarta-feira numa estrada ao sul de Gori que leva à capital georgiana, Tbilisi - mas Moscou negou a alegação de que suas forças estivessem avançando rumo à capital. Testemunhas que abandonaram Gori disseram que a cidade tem sido palco de saques e ataques a tiros supostamente realizados por separatistas ossetianos. Entretanto, a Geórgia acusou soldados russos de estarem realizando os ataques - algo que foi negado pelas autoridades de Moscou. Em declarações divulgadas pela TV russa, o ministro do Exterior da Rússia, Sergei Lavrov, admitiu operações para neutralizar equipamentos militares e armas também perto da cidade georgiana de Senaki, além de Gori. O conflito envolvendo a Geórgia e a Rússia na região separatista da Ossétia do Sul, que formalmente pertence à Geórgia, começou no dia 7 de agosto, quando forças georgianas bombardearam o território, onde a maioria das pessoas é de origem russa. A Rússia respondeu realizando uma ofensiva primeiramente na Ossétia do Sul e depois em outra região separatista, a Abkházia, com o objetivo formal de impedir a violência georgiana. Nesta terça-feira, os dois lados aceitaram uma proposta de paz apresentada pelo presidente da França, Nicolas Sarkozy. Apesar disso, nesta quarta-feira voltaram a surgir relatos de violência na região de Gori. 'Ataques legais' Falando à BBC, Sergei Ivanov, um dos vice-primeiro-ministros da Rússia, afirmou que os ataques russos contra alvos militares fora da Ossétia do Sul são legais e necessários. Ele disse que a Rússia tinha que destruir sistemas de artilharia georgianos e bombardear aeroportos militares para proteger os soldados de uma força de paz russa que já estava na Ossétia do Sul antes do conflito começar. Ivanov também negou que a operação militar tivesse como objetivo afastar do poder o presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili, um crítico ferrenho de Moscou. Diplomacia Também nesta quarta-feira, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, anunciou que os Estados Unidos estão enviando ajuda humanitária à Geórgia. Bush também cobrou da Rússia que cumpra a sua promessa de pôr fim às hostilidades com a Geórgia, e disse a Rússia tem muito a perder se não respeitar a soberania do país vizinho. Por outro lado, Lavrov disse que os Estados Unidos precisam escolher entre manter uma parceria com Moscou ou ter uma aliança com o governo da Geórgia, que Lavrov qualificou de "projeto virtual." BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.
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