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Saab fica em beco sem saída sem apoio da GM

06 de janeiro de 2012 | 15h 18
ANNA RINGSTROM E MIA SHANLEY - REUTERS

Falar em futuro para a montadora sueca Saab, fabricante de sedãs que um dia fascinaram fãs de automóveis, é sonhar, acreditam analistas da indústria, apesar de advogados incumbidos de liquidar a montadora de 64 anos afirmarem que há candidatos a compradores e que existe a chance da fabricação de carros continuar de alguma maneira.

No entanto, a empresa em processo de falência ficou sem acesso à tecnologia necessária para a fabricação de seus atuais modelos. A General Motors, antiga proprietária, já chegou a autorizar o uso dessa tecnologia anteriormente, mas é improvável que o faça de novo. O estado de falência nem inclui a marca Saab.

Então, que ativos sobraram? Possivelmente bem poucos.

"Tenho 99 por cento de certeza de que não continuará como Saab", disse o diretor da Associação Europeia de Fornecedores Automotivos, Lars Holmqvist. "A Saab não será como a plataforma PhoeniX. Não voltará a voar", acrescentou.

A plataforma PhoeniX, que tem utiliza pouca tecnologia da GM, seria a base para a nova geração dos carros da Saab, mas está na fase inicial de desenvolvimento e pode demorar um ou dois anos para ficar pronta. Qualquer comprador deverá investir centenas de milhões de dólares se quiser apoiar o projeto.

A Saab teve a falência declarada pela Justiça no mês passado, o que deu fim à batalha de nove meses da holandesa Swedish Automobile para encontrar comprador. A montadora não produz desde abril e várias tentativas de resgate fracassaram.

Uma última tentativa de socorro à empresa, da chinesa Zheijiang Youngman Lotus Automobile, entrou em colapso porque a GM se recusou a licenciar sua tecnologia para a empresa.

"A GM não quer outro concorrente no mercado", disse o presidente da AutoTrends Consulting, de Nova Jersey, Joe Phillippi, citando o estado de excesso de capacidade produtiva mundial. "Para mim, isso soa como liquidação. Quem compraria uma fábrica de carros relativamente pequena na Europa neste exato momento? Eu não sei de ninguém", acrescentou.

Para complicar a situação, qualquer comprador precisaria da permissão da companhia de defesa e segurança Saab AB e da fabricante de caminhões Scania para usar o nome Saab, já que o direito sobre a marca pertence a elas.

No fim das contas, qualquer investidor teria que se acertar com a GM. "Ela dá as cartas agora", concluiu Phillippi.

Analistas afirmam que a Saab não progrediu o suficiente para se destacar em um mercado duro, onde as montadoras estão investindo bilhões de dólares para desenvolver a próxima geração de modelos.

"A Saab, do ponto de vista de tecnologia, é uma Opel", disse Holmqvist. "É padrão, tem uma tecnologia muito comum."


Tópicos: SAAB, FICA, EM, BECO, SEM, SADA, SEM, APOIO, DA, GM*