Santa Catarina estima prejuízo de R$ 120 milhões ao turismo

Em caso de tragédia, Procon orienta a cancelar pacote sem o pagamento de multa por recisão

Rodrigo Brancatelli, enviado especial de O Estado de S. Paulo,

03 Dezembro 2008 | 08h46

Aos poucos, bem aos poucos, cidades atingidas pelas chuvas começam a retomar a rotina. Números mostram, no entanto, que a normalidade está longe de ser realmente alcançada. O Procon orienta que, em casos de tragédias naturais, o consumidor pode pedir o cancelamento de pacotes sem ser multado. A Santa Catarina Turismo (Santur), empresa ligada à Secretaria de Turismo do Estado, estima prejuízos de R$ 120 milhões para o setor. E o Estado está longe de resolver problemas estruturais nas regiões atingidas - segundo o Departamento de Infra-Estrutura, apenas em 22 de dezembro - três dias depois do início da alta temporada, segundo o governo - as estradas serão liberadas, ao custo de R$ 330 milhões.   Veja também: Saiba como ajudar as vítimas das chuvas  Número de desaparecidos chega a 32  Paraná encerra doações a Santa Catarina Chuva inunda ruas em Blumenau e Itajaí Ligação entre SC e PR deve ser liberada Cai para 7 o número de rodovias interditadas Mais de 5,5 mil imóveis continuam sem luz Situação de solo não mudou em SC, diz IPT Desvio é feito na principal ligação entre PR e SC IML divulga lista de vítimas identificadas Repórteres relatam deslizamento em Ilhota  Mulher fala da perda de parentes em SC Tragédia em Santa Catarina  Blog: envie seu relato sobre as chuvas  Veja galeria de fotos dos estragos em SC   Tudo sobre as vítimas das chuvas      Blumenau, por exemplo, teve de cancelar sua tradicional festa de luzes de fim de ano. Empresas de turismo tradicionais como a Stella Barros pararam de negociar pacotes para Florianópolis até que a situação ganhe contornos mais claros. E não há um índice para estimar como está o receio da população em viajar.   O faturamento de toda a cadeia que envolve hotéis, restaurantes, bares, lojas e táxis pode cair mais de 50% na alta temporada. Segundo a Associação Brasileira de Hotéis em Santa Catarina (ABIH-SC), apesar dos problemas das chuvas, apenas 3% dos pacotes turísticos foram cancelados. No entanto, segundo Wilson Luiz de Macedo, presidente da ABIH-SC, não é possível calcular os prejuízos, já que outras reservas foram feitas após as chuvas para o período da alta temporada de verão.   Macedo afirma que os hotéis de Santa Catarina foram orientados a entrar em contato com os clientes e informarem sobre as condições turísticas de cada cidade. Os pontos turísticos mais atingidos, segundo ele, foram Florianópolis e Balneário Camboriú. Segundo ele, os turistas podem viajar tranqüilos ao Estado. A estimativa da ABIH-SC é que 50% dos pacotes turísticos já haviam sido reservados em Florinópolis.   Publicidade   O valor que será gasto para limpar ruas e tapar buracos sequer foi calculado. Quando isso for resolvido, o governo promete fazer uma campanha publicitária de R$ 2 milhões em todo o País e no Mercosul para tirar qualquer dúvida da população e atrair veranistas. "Até o fim de semana teremos o slogan, mas deve ser algo como ‘Santa Catarina quer retribuir o seu abraço, venha nos visitar’", revela o secretário de turismo, Gilmar Knaesel. "Será quase uma campanha educativa, na televisão, nos jornais, nas revistas e em outdoors. Balneário Camboriú, por exemplo, não teve problemas e está perfeito para receber os turistas. Há também lugares como Bombinhas e dezenas de outras praias não atingidas. O problema foi no Vale do Itajaí e precisamos mostrar para os turistas que é uma coisa localizada e Santa Catarina está pronta para recebê-los."   No entanto, mesmo em locais menos atingidos turistas começam a cancelar viagens - segundo a Secretaria de Turismo e Desenvolvimento Econômico de Balneário Camboriú, até 25% dos turistas que iriam visitar a cidade no Natal e ano-novo cancelaram reservas.   Segundo a Associação Brasileira das Agências de Viagem (Abav), o faturamento de empresas de viagem das regiões atingidas já está comprometido para todo o verão. "Despesas fixas continuam correndo. Com movimento paralisado há mais de dez dias e estimativa de retorno gradual a partir do Natal, o fluxo de caixa das agências deve continuar no vermelho por pelo menos dois meses", disse o presidente da Abav estadual, Eduardo Lock. "Mas é possível minimizar, mostrando as belezas intactas na mesma medida em que são mostrados os locais danificados."   (Colaboraram Vitor Hugo Brandalise e Júlio Castro, de O Estado de S. Paulo.)   Texto alterado às 13 horas para acréscimo de informações.

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