São Paulo investe em raça de corte

Com o mercado de carne de carneiro em alta e a produção abaixo da demanda, lucro chega a 100%

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

25 Julho 2007 | 02h54

O Estado de São Paulo consome 500 toneladas de carne de carneiro por mês, mas produz apenas 30% desse volume. O restante - cerca de 350 toneladas ao mês - é importado do Mercosul. A carne estrangeira vem do abate de animais criados para a obtenção de lã e é, portanto, de qualidade inferior àquela de espécies com aptidão para carne. Um número cada vez maior de criadores paulistas está formando plantéis para o mercado gastronômico, em demanda acelerada. O presidente da Associação dos Criadores de Caprinos e Ovinos da Região de Itapetininga (Accori), Jaime de Oliveira Filho, calcula que o rebanho de matrizes paulistas precisa crescer das atuais 500 mil cabeças para 4 milhões para atender a demanda. ''''Vamos levar de 5 a 8 anos.'''' Para o produtor, esse cenário dá certeza de boa renda. No início do mês o cordeiro no ponto de abate estava cotado entre R$ 3,20 e R$ 3,50 o quilo. O custo de produção era calculado entre R$ 1,30 e R$ 1,50/quilo, o que representa ganho superior a 100%. Foi o que levou o criador Fernando Fabrini, dono de haras, a optar pela ovinocultura. Na Cabanha Três Marias, em Sarapuí, mantém um plantel de 400 ovelhas santa inês, cruzadas com machos dorper. ''''O santa inês é como o nelore, rústico e resistente. Cruzado com o dorper, apresenta melhoria na carcaça e na precocidade.'''' As ovelhas ficam soltas em 43 hectares de pasto, com predominância da braquiária. No inverno recebem reforço com silagem de milho ou cana. O sistema de cobertura, controlado, garante até três partos em dois anos. Como os ovinos produzem gêmeos a cada dois partos - a gestação é de 5 meses -, obtém-se média de 4,5 cabeças a cada três parições. O desmame ocorre entre 70 e 75 dias e os cordeiros estarão prontos para o abate dos 90 dias até 120 no máximo, com peso vivo entre 30 e 35 quilos. ''''Tudo o que produz, vende e os compradores vêm bater na minha porteira'''', diz Fabrini. Na sua cabanha, o redil é coberto com telhas de amianto, algumas transparentes para aproveitar a luz natural, e cercado com bambus redondos. O piso, em terra socada, ajuda a absorver a umidade. ''''Aqui não tem cercas pintadas, mas bons carneiros'''', diz. Fabrini se associou a outro ovinocultor, Décio Ribeiro dos Santos, da Cabanha DRS, especializada em animais de elite. Ele aposta no sistema a campo para produzir matrizes santa inês e meio sangue dorper. Os pastos estão sendo reformados. ''''Vamos fornecer animais de qualidade para quem estiver começando.'''' ''''O consumo de carne ovina cresceu 30% nos dois últimos anos. Só não foi mais por falta do produto. É um mercado muito promissor'''', garante.

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