Sarney chama comissão do Congresso para analisar ida de Bezerra
O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), convocou para a próxima quinta-feira uma reunião da Comissão Representativa do Congresso Nacional para analisar a ida do ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, para explicar denúncias contra ele.
O ministro é acusado de beneficiar o Estado dele, Pernambuco, na distribuição de verbas de sua pasta e também seu filho, o deputado Fernando Coelho Filho (PSB-PE), no empenho de recursos destinados a emendas parlamentares.
Sarney convocou a reunião da Comissão Representantiva, que representa o Congresso durante o recesso parlamentar, para a tarde de quinta-feira, segundo informações da Agência Senado nesta terça-feira.
Na segunda-feira, o Ministério da Integração Nacional divulgou nota em que o ministro nega o favorecimento ao seu filho e afirma que as denúncias se devem ao "acirramento eleitoral" por conta da disputa municipal deste ano.
Coelho Filho postula a candidatura à prefeitura de Petrolina, cidade que já foi governada por Bezerra. O ministro, por sua vez, trocou seu domicílio eleitoral de Petrolina para Recife e pode ser candidato à prefeitura da cidade caso o PSB, partido do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, decida lançar candidato ao comando da capital pernambucana.
Em entrevista coletiva também na segunda, Bezerra disse ter telefonado a Sarney pedindo sua convocação pela Comissão Representativa. O ministro também disse ter conversado com a presidente Dilma Rousseff e disse ter a "confiança" e o "apoio" da presidente.
Desde junho do ano passado, sete ministros deixaram o governo Dilma, seis deles em meio a denúncias de irregularidades. A queda de ministros após acusações publicadas pela imprensa foi um dos fatos mais marcantes do primeiro ano de governo Dilma.
As denúncias sobre a destinação de verbas do Ministério da Integração vêm em um momento em que as fortes chuvas de verão voltam a castigar o país, em especial a Região Sudeste.
Os Estados mais afetados são Rio de Janeiro, onde pelo menos 15 pessoas já morreram neste ano, e Minas Gerais, que também já soma 15 mortes desde o início do período chuvoso no Estado, em outubro do ano passado.
Em janeiro de 2011, a região Serrana do Rio de Janeiro foi devastada pelas chuvas e cerca de 900 pessoas morreram principalmente em decorrência de gigantescos deslizamentos de terra.
(Reportagem de Eduardo Simões em São Paulo)
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