Sem perceber, você joga videogame

Longe dos famosos consoles, games atraem todos os públicos no computador, celular, Orkut, Facebook e até no iPod

Rodrigo Martins, de O Estado de S. Paulo,

08 Junho 2009 | 13h42

Você joga videogame? Para quem não tem um console de última geração em casa, a resposta automática pode ser não. Mas pare para pensar.   Na fila do banco, você liga o celular para brincar de "cobrinha"? Quando está sem nada o que fazer na frente do PC, não resiste em abrir o Paciência? E se está no Orkut ou Facebook e vê um joguinho bobinho, mas que parece divertido, você clica para testar? Então, caro leitor, como muitos, sem se dar conta, você joga videogame.   Os jogos saíram do domínio exclusivo de consoles e de PCs tunados. De celular e Orkut ao iPod, é possível jogar, mesmo que seja um simples xadrez online e não aqueles games ultramodernos como os vistos na E3 . E, com essa diversificação, ampliou-se o público também. Uma pesquisa da Entertainment Software Association aponta que 60% dos norte americanos jogam. E que os games não são coisa de criança. A média de idade dos gamers é de 29 anos.   Flávio Paschoal, 53 anos, é vendedor. Ele não tem um console. Na real, não tem vontade nenhuma de ter. Mas todos os dias, religiosamente, liga o computador só para brincar de mover as cartas virtuais do Free Cell. "Sou viciado", assume. "Tenho de levar minha filha ao metrô às 7h e meu filho à escola às 8h. Nesse meio tempo, vou ao PC e jogo."   O vendedor não joga mais nenhum game virtual. "Mas, fisicamente, jogo cartas com meus amigos todos os dias. Além disso, faço cruzadinhas". Para ele, que escuta músicas no YouTube enquanto manda ver no Free Cell, o barato do jogo no computador é o desafio. "Fico querendo bater os meus recordes a cada dia", assume ele.   A assessora de imprensa Carolina Velloso, 22 anos, é outra da tribo do baralho virtual. Mas ela gosta de jogar online. Além de Free Cell, ela curte jogar copas, desafiando outras pessoas pela web. "É mais fácil, não precisa embaralhar", diz ela, que assim consegue encontrar outras pessoas que também curtem cartas. "Achar pessoas da minha idade é difícil."   O estudante Gabriel Marin, 22 anos, também não tem nenhum videogame em casa, mas joga. E bastante. Enquanto está no trem para ir ao trabalho, se diverte com as combinações numéricas do sudoku no celular. E, enquanto está no trabalho, entre uma tarefa e outra, se divide entre jogos de estratégia, ação e xadrez. Tudo online.   "Os jogos são rápidos pela internet, não demandam muito tempo, é só para desestressar. Além disso, não precisam de instalação. E no PC do trabalho não é possível instalar nada", diz ele. "Quando tenho um tempinho livre, não resisto e já vou procurar um jogo", assume.   Outra fã de jogos online, a estudante Camila Santana, de 20 anos, além de jogar Paciência no iPod , também reúne amigos do Facebook para encarnar a máfia em um game disponível na rede. "É divertido. A gente joga junto, podemos nos reunir para atacar uma máfia inimiga", diz ela, que gostaria de comprar um Wii, mas acha caro.   Já o microempresário Ramés Fernandes, 28 anos, tem, justamente, o Wii. Quer dizer, os proprietários oficiais são seus filhos gêmeos, Enzo e Henrique, de 4 anos. Só que o pai, que comprou o "brinquedinho" para as crianças, também foi fisgado. Mas tanto ele como a esposa, Janaína, precisam esperar as crianças saírem da frente da TV. "Meus filhos não deixam a gente jogar. Só quando eles vão dormir é que conseguimos."   'Paciência' e 'Tetris' espantam o tédio das filas   Se jogos no computador, seja online ou instalados na máquina, podem ser um passatempo bacana e ganham mesmo quem nunca pensou em ter um console, quando esses games, até os manjados como Tetris, chegam ao celular e ao iPod, podem tornar-se a salvação para a espera em filas, consultórios médicos e ônibus.   A publicitária Évora Ferraz, de 34 anos, descobriu o Tetris no celular quando esperava um voo atrasado no aeroporto. Pronto. "Fiquei viciada. Não tenho mais problemas com espera. Já joguei em consultório, fila e até na igreja, enquanto não começava um casamento. Já bati meu recorde no posto trocando o óleo do carro."   Já a estudante Camila Santana, de 20 anos, se acaba com as cartas virtuais do Paciência em seu iPod. "Quando entro no ônibus ou no metrô já começo. O tempo passa muito mais rápido. Acabou o tédio."

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