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Sob críticas, PM do Rio troca comando de 25 UPPs

MARCELO GOMES - Agência Estado

06 Setembro 2013 | 18h 21

Unidade da Rocinha, onde ocorreu o sumiço de Amarildo, ficará sob responsabilidade a major Pricilla de Oliveira; mudança foi recebida com reserva por oficiais da PM

A Polícia Militar do Rio anunciou nesta sexta-feira, 6, a troca do comando de 25 das 34 Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) inauguradas até agora. Entre os postos que terão novo chefe está o da Rocinha: o comandante anterior, major Edson Santos, estava sob pesadas críticas desde o desaparecimento, há 55 dias, de Amarildo Souza, de 43 anos. Parentes do pedreiro, além de representantes de ONGs de direitos humanos e até do Ministério Público cobravam abertamente a saída do oficial do cargo, já que uma das linhas de investigação da Divisão de Homicídios é a de que Amarildo teria sido morto por PMs da UPP.

Para o lugar de Santos foi designada a major Pricilla de Oliveira Azevedo, que comandou durante dois anos a primeira UPP da cidade, no Morro Dona Marta, em Botafogo, na zona sul, inaugurada em dezembro de 2008. Em 2010, Pricilla recebeu um prêmio em Washington das mãos da primeira-dama dos EUA, Michelle Obama, por sua "coragem e liderança excepcional" no processo de pacificação. Já Santos retorna ao Batalhão de Operações Especiais (Bope), a tropa de elite da PM fluminense.

As mudanças foram decididas pelo novo coordenador das UPPs, coronel Frederico Caldas, que completa neste domingo, 8, um mês no cargo. O oficial disse nesta sexta que o objetivo foi "oxigenar" o programa de pacificação. Em relação à Rocinha, Caldas afirmou que o sumiço de Amarildo tornou a situação do major Edson Santos "insustentável".

"Na verdade, a dinâmica que nós obedecemos foi ajustar o perfil. Alguns oficiais foram promovidos de capitão a major, e aí tem toda uma questão de hierarquia. A questão do Amarildo, essa dúvida toda que repousa sobre a ação dos policiais terem levado ele para a base da UPP, isso de alguma forma sobrecarregou e deixou o major Edson numa situação insustentável", afirmou o comandante das UPPs.

A mudança na Rocinha foi recebida com reservas por fontes da PM ouvidas pela reportagem. "A (major) Pricilla é uma ótima oficial. Mas ela chefiou uma favela com apenas 5 mil moradores, e com só uma entrada e saída. Mesmo sendo a primeira UPP, o trabalho era relativamente fácil. E como ela é bem avaliada pela mídia, foi a solução que a PM encontrou para tirar a Rocinha do foco das críticas por causa do sumiço do Amarildo. Na Rocinha, ela vai chefiar uma UPP com 700 homens, efetivo maior do que a maioria dos batalhões. Além disso, é uma favela enorme, com inúmeros becos e traficantes atuando maciçamente. O problema das UPPs é de gestão: os comandantes são oficiais novos, sem experiência".

Também foram alterados os comandantes de sete das oito UPPs dos complexos do Alemão e da Penha, na zona norte da cidade. Os postos foram inaugurados em meados do ano passado, após um ano e meio de ocupação do Exército. Apesar da presença permanente da polícia na região, são comuns episódios de violência protagonizados por traficantes que ainda se refugiam naquelas comunidades, como os recentes ataques a bases da ONG AfroReggae.

Efetivo itinerante

Ainda este mês terá início a Operação União de Paz nas UPPs. Os postos terão reforço de efetivo itinerante, a fim de reduzir os índices de criminalidade nas favelas que, apesar de pacificadas, ainda registram confrontos com traficantes. As primeiras unidades que receberão o projeto serão Rocinha, Complexo do Alemão e São Carlos. Para esse aumento de efetivo serão utilizados policiais lotados na Coordenadoria das UPPs. "Vamos fazer operações nas comunidades respeitando o contexto da polícia de proximidade, que é a filosofia da UPP. Não há por que usar o Bope se eu tenho um efetivo de 8.600 PMs lotados em todas as UPPs", disse o coronel.

O secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, considerou "salutar" a mudança nos comandos das UPPs. "Eu aprovei isso. A expectativa é que se tenham bons resultados. Acho que a mudança é muito salutar. Se uma pessoa é um bom comandante na Penha por que não pode ser no Borel? Nas mudanças, eles estão saindo de um lugar para o outro. Ou seja, levam a sua experiência de um lugar para o outro", disse Beltrame, em entrevista nesta sexta à Rádio CBN.

A PM também anunciou a implantação da 34ª UPP, nas favelas Arará e Mandela, na zona norte. Desde janeiro as duas comunidades eram atendidas pela UPP Manguinhos, mas a partir de agora terão uma unidade exclusiva.