Software gratuito ajuda deficientes a usar computador

As pessoas com deficiência motora vão poder usar o computador sem as mãos, apenas com movimentos do rosto, como piscar de olhos e abrir e fechar de boca. A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) e a empresa espanhola Indra fizeram um acordo para distribuir gratuitamente dois softwares que dispensam o uso manual do teclado e do mouse. Os programas Headmouse e Teclado Virtual poderão ser baixados a partir de hoje nos sites dos Correios (www.correios.com.br) e do Ministério das Comunicações (www.mc.gov.br).

GERUSA MARQUES, Agencia Estado

10 Março 2010 | 17h31

O estudante de jornalismo Eduardo Sousa dos Santos George, de 22 anos, que possui uma má formação congênita e mobilidade reduzida, fez hoje uma demonstração do software, durante a cerimônia de lançamento da parceria entre Correios e a empresa espanhola que desenvolveu o programa. Eduardo, que antes usava uma vareta presa à boca para acionar o teclado, navegou sozinho, com movimentos faciais, pelo site dos Correios e consultou o número do CEP da casa dele, em Interlagos, São Paulo.

Para a utilização do software, é preciso ter uma câmera (webcam) instalada no computador para captar os movimentos faciais. O cursor do mouse e a função "arrastar" são acionados pelo movimento da cabeça e a função "click" é ativada por gestos, como piscar de olhos. "Ajudou bastante. Eu antes usava uma ponteira", disse Eduardo, que dispõe de computador em casa, mas só tem acesso discado à internet, por causa dos preços altos da banda larga.

Durante a cerimônia, o estudante recebeu um convite para trabalhar como monitor dos Correios na divulgação dos softwares. Os Correios colocarão à disposição dos interessados uma equipe de suporte para esclarecer dúvidas sobre a instalação e o funcionamento das ferramentas.

O ministro das Comunicações, Hélio Costa, lembrou, na cerimônia, que 24,5 milhões de pessoas no Brasil têm algum tipo de deficiência. Ele ressaltou que o Ministério tem no seu quadro de funcionários 80 pessoas com necessidades especiais. Costa citou ainda o projeto que permitiu a instalação de 1.800 telefones desenvolvidos para deficientes auditivos em escolas frequentadas por alunos com necessidades especiais.

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