SP tenta tirar nome de general da ditadura de viaduto

O viaduto da Marginal do Tietê que leva o nome de um dos expoentes do regime militar no Brasil pode mudar de nome hoje. Trinta anos depois de o prefeito Reynaldo de Barros (1931-2011) homenagear o general Milton Tavares de Souza, a Câmara Municipal de São Paulo vota projeto do Executivo que altera o nome da alça, localizada na Penha, zona leste, para Domingos Franciulli Netto, ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) morto em 2005.

AE, Agência Estado

15 Junho 2011 | 10h13

O projeto que altera o nome, de 2006, é de autoria do ex-prefeito José Serra (PSDB), mas foi o próprio Gilberto Kassab (sem partido) que solicitou sua votação à base governista. Com a chegada à Prefeitura do PCdoB, a quem entregou a organização da Copa 2014 na capital, Kassab vem recebendo pedidos de comunistas e associações de ex-presos políticos para que a mudança seja ratificada.

"Miltinho", como o general era conhecido, comandou o Centro de Informações do Exército e foi um dos militares mais "linha-dura" do regime. "É uma ofensa que esse viaduto ainda leve o nome de um dos maiores assassinos da nossa história. Esperamos essa atitude sensata dos vereadores. Na capital, de forma mais do que urgente, temos de trocar o nome desse viaduto e do Elevado Costa e Silva (Minhocão)", defende Ivan Seixas, do Fórum de Ex-presos Políticos do Estado de São Paulo.

O nome de General Milton Tavares de Souza foi dado ao viaduto no dia 29 de julho de 1981. Em seu decreto daquela data, Reynaldo de Barros considerava a "efetiva participação do general no movimento revolucionário de 1964" para prestar a homenagem. Para o atual presidente da Câmara, José Police Neto (sem partido), há uma demanda da sociedade pela alteração de nomes do período militar que não pode mais ser ignorada pelos vereadores. "Não podemos nos furtar a esse debate." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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