Substância é eficaz contra déficit de atenção

No caso de pessoas efetivamente diagnosticadas com TDAH, a Ritalina promove o aumento dos níveis de dopamina no cérebro. Trata-se de um neurotransmissor que aumenta o estado de alerta e melhora a cognição, por isso geralmente promove uma melhora nos estudos.

O Estado de S.Paulo

16 Dezembro 2012 | 02h06

O neuropediatra Paulo Alves Junqueira, membro da Academia Brasileira de Neurologia (Abneuro), afirma que a droga não aumenta a inteligência nem fornece habilidades que a pessoa não tinha anteriormente, "mas deixa o paciente pronto para trabalhar em dobro porque tira a fadiga e estabelece um esforço para que consiga se manter em determinadas tarefas".

O diagnóstico é clínico. "É necessário fazer uma entrevista artesanal, longa, com várias questões. Tem de saber das trajetórias do paciente e o quanto tem de prejuízo nos relacionamentos, no trabalho e na autoestima", diz. Constatado o transtorno, é preciso inquirir o histórico cardiovascular do paciente. Os que já tiveram problemas no coração não devem usar a droga.

"Para quem precisa, o remédio muda a história de vida do indivíduo. Ouço relatos de portadores que, depois de serem diagnosticados, mudaram de vida, entraram na faculdade e tiveram várias realizações. Isso é gratificante", diz Junqueira.

Para o psiquiatra Dartiu Xavier da Silveira, a fama da Ritalina de tornar as pessoas mais inteligentes vem do fato de que portadores de TDAH são frequentemente rotulados de preguiçosos antes do diagnóstico. "Depois de medicados, o rendimento escolar passa a ser muito bom. Por isso os pais brincam que é a 'pílula da inteligência'. Tenho um paciente que diz que ficou 'nerd' depois da Ritalina."/ M.L.

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