Surpresa e troco argentino no torneio caseiro

Concurso nacional de cervejeiros reuniu em BH mais de cem receitas

Roberto Fonseca, O Estado de S.Paulo

04 Setembro 2008 | 02h59

Além da marca recorde no País em termos de cerveja caseira - 107 receitas inscritas em três categorias -, o 3º Concurso Nacional de Cervejas Artesanais, realizado em Belo Horizonte no último sábado, chamou atenção por mais dois fatores. Apesar da presença de produtores já consagrados, os primeiros lugares nos três estilos - trigo, english india pale ale (ou IPA) e belgian strong ale - ficaram com concorrentes que ainda não haviam "levantado o caneco" principal nos torneios anteriores. Em um dos casos, na categoria trigo, a Argentina conseguiu dar o troco, com o primeiro lugar de Marco Málaga, que é peruano mas adotou o país. Na metade de agosto, a cerveja caseira mineira da Küd Bier, venceu torneio em Santa Fé. Já na categoria IPA, o prêmio ficou com Edigyl Pupo, do Paraná, que começou a pesquisar e dar os primeiros passos na produção há cerca de um ano. "Sou descendente de alemão e aprecio a boa cerveja. Era vontade antiga, pois acompanhei desde criança minha avó e minha mãe produzindo cerveja caseira." A concorrente foi batizada de Poderosa. Pupo ainda disse que, para produzir a receita, teve ajuda da mulher e das filhas - mas não exatamente de forma direta. "Elas tiveram de me agüentar várias vezes fazendo confusão em casa", brinca. Não tão tranqüila foi a entrada do catarinense Raphael Tonera no torneio. Ele havia feito um calendário para se organizar para a competição, porque tinha provas de final de semestre no curso de produção de engenharia elétrica. "Mas no final da produção percebi que não havia dado certo. Arrisquei fazer outra leva uma semana depois, correndo risco de a cerveja não ficar no ponto. O prazo foi apertadíssimo, mas deu certo". Sua belgian dark strong ale foi batizada de Tonera Dark Tchebla, sendo o último nome apelido de infância. "É uma longa história."

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