Talentos revelados via internet não incluem apenas artistas

Além da facilidade de comunicação - e também por causa ela -, a internet tornou-se um espaço para mostrar seu talento. Isso vale, para tanto artistas que fazem sucesso duradouro ou passageiro no YouTube e MySpace, mas também para profissionais como a estilista Monayna Pierro, de 29 anos, dona da grife Apego.   Em 2005, com uma amiga da faculdade, ela montou um fotolog. Até então, Monayna só vendia roupas para amigos ou indicados pelos amigos. Na internet, ela começou a postar fotos dos modelos que produzia, com o contato. Foi aí que a coisa andou. "As pessoas começaram a comprar as peças pela internet. E o nome da marca começou a ganhar fama."   Com o sucesso, Monayna montou a própria loja nos Jardins. E depois, abriu outra maior, que vende outras marcas além da sua, a Casa de Quem. Mas ela saiu da internet? "Não. Mantenho o fotolog, mesmo que não tenha mais tantas visitas. Hoje o Flickr rende mais audiência", diz.   "Não há como sair da internet. Para uma grife jovem, o público está lá. É assim que é preciso se divulgar."    Nelson Motta Multimídia, o adjetivo combina muito bem com o jornalista, escritor, compositor e produtor musical, Nelson Motta. E é na internet que ele encontra sua grande aliada para conciliar tantos afazeres. Fascinado com a tecnologia ele acredita que juntos a internet e os computadores superaram qualquer ficção científica: "uma caixa mágica com uma tela seria inverossímil".   Qual a importância da internet na sua vida? Na minha atividade, não consigo imaginar nada melhor, tanto para produzir crônicas, livros, letras de música, roteiros de filmes, como para me informar e pesquisar, para difundir meu trabalho, para me comunicar com pessoas. Para mim é mais importante do que a TV, o radio e os jornais. Claro, eles estão todos na minha tela.   O que você deixaria de fazer sem internet? Não consigo sequer imaginar essa hipótese, seria um cataclismo em minha vida pessoal. Quando, rarissimamente, fico um dia sem internet vou à loucura, me sinto um pinto fora do lixo. Para quem vive de escrever, de ouvir e fazer música, é um instrumento dos sonhos. Nunca, nem nas mais loucas fantasias de ficção científica dos anos 60 se ousou imaginar algo tão bom: a caixa mágica com uma tela seria inverossímil. Outra coisa: não deixo de fazer nada que queira por causa do "vicio solitário". Pelo contrário, posso perder a novela ou o futebol para ir a um show - e vejo o capitulo ou o jogo depois na rede.   A internet é uma realidade sem volta? Graças a Deus! Embora para mim seja mais difícil entender como ela funciona do o milagre da multiplicação dos peixes. Pode se transformar na mais poderosa arma da democracia e da liberdade, é um caminho sem volta, para nossa felicidade. Claro, a tecnologia é neutra, depende do uso que se faça dela.    Eugênio Bucci Para o jornalista Eugênio Bucci, ex-presidente da Radiobrás, não há como dissociar o uso da internet dos meios de comunicação tradicionais.   Acredita que a internet tira as pessoas do rádio e da TV? Não faz muito sentido pensar a internet como rival do rádio. Ela não é um meio de comunicação, mas um ambiente de relações humanas além da presença física, onde as pessoas pagam o Imposto de Renda, telefonam, fazem compras, fecham pacotes de viagem e, inclusive, ouvem rádio. Dentro desse ambiente existem diversos meios de comunicação.   O que fazer para atrair o público que está na web? No ensino do jornalismo e da comunicação, se pensa em termos de meios impressos, de televisão, de rádio ou online. Com a internet, não existe separação. Acredito que se deve quebrar os paradigmas antiquados. É preciso entender que as coisas se integraram, que o público pega o celular e grava um vídeo, envia uma foto, etc. O mundo é multimídia e os veículos também, e, de modo geral, têm conseguido mudar para essa plataforma.    O que o brasileiro faz na web Quando está online, o internauta brasileiro gasta a maior parte do tempo trocando mensagens instantâneas. Segundo pesquisa do Ibope Nielsen Online, são 5h19min conversando por mês. Em segundo lugar, vêm as redes sociais e blogs. São 4h39min mensais dedicadas a estes. Jogos online (2h2min), troca de e-mails (1h38min) e navegação em portais (1h10min) completam a lista das atividades online favoritas no Brasil. Pesquisa com dados de abril mostra que, em relação ao mesmo mês de 2008, o que mais cresceu foi a audiência de sites relacionados a turismo - a procura foi 28% maior -, seguido por entretenimento (16%) e comércio eletrônico (15%).

Rodrigo Martins e Filipe Serrano, de O Estado de S. Paulo,

01 Junho 2009 | 15h44

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